Pecuaristas Brasileiros Rejeitam Exigências da União Europeia sobre Antimicrobianos e Defendem Soberania Regulatória Nacional em Nota Conjunta.

Representantes de 14 organizações do setor pecuário brasileiro manifestaram, em nota conjunta, sua oposição às exigências impostas pela União Europeia (UE) relacionadas ao uso de antimicrobianos na produção animal. A mensagem reúne entidades que defendem a soberania regulatória do Brasil e alertam para os riscos que essas exigências podem trazer à competitividade da pecuária nacional.

As discussões ocorrem em um momento delicado, quando o governo brasileiro busca alternativas para evitar a suspensão, a partir de 3 de setembro, das importações de carne bovina e de frango por parte do bloco europeu. A UE requer que o Brasil garanta que seus produtos não sejam derivados de animais alimentados com antimicrobianos usados para estimular o crescimento, uma prática que já é proibida na legislação europeia.

Os pecuaristas argumentam que o Brasil possui um sistema sanitário robusto, já reconhecido internacionalmente, o que torna desnecessárias adaptações à legislação visando atender o mercado europeu. Eles reforçam que os produtos aprovados pelo Codex Alimentarius, organização com respaldo da Organização Mundial do Comércio (OMC), são seguros e contribuem para a saúde e o bem-estar animal, além de promoverem a eficiência produtiva quando utilizados corretamente.

Diante desse cenário, as entidades alertam que transformar as exigências da UE em normas para toda a cadeia produtiva nacional poderia gerar custos e burocracia desnecessários para os produtores que se concentram no mercado interno ou que operam em outros países com regulamentações diversas. A nota destaca que as condições estabelecidas por importadores devem ser cumpridas apenas por aqueles que optam por acessar específica e comercialmente esses mercados, sem impor limitações aos demais produtores.

Outro ponto crítico levantado pelos pecuaristas é a possibilidade de que a aceitação das exigências europeias crie um precedente para futuras interferências externas em áreas regulatórias ambientais e produtivas, comprometendo assim a autonomia do Brasil em definir suas políticas públicas. Para esses representantes, qualquer mudança na legislação deve ser baseada em fundamentos técnicos e científicos, considerando a realidade do setor e, em especial, protegendo os pequenos produtores.

A união de diferentes entidades, como a Associação Brasileira dos Criadores de Zebu (ABCZ) e a Sociedade Rural Brasileira (SRB), entre outras, visa reforçar a posição de que, além de apoiar a ampliação das exportações brasileiras, a imposição de exigências de mercados específicos não deve provocar alterações generalizadas nas normas nacionais.

Recentemente, a UE decidiu excluir o Brasil da lista de países autorizados a exportar carne bovina e de frango, alegando a falta de informações suficientes que comprovassem o cumprimento das regras sobre antimicrobianos. Essa decisão, segundo a UE, visa conter o surgimento de microrganismos resistentes a medicamentos, colocando em destaque a relevância desse debate no campo das políticas de saúde pública e comércio internacional.

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