A tentativa de Zelensky em garantir sua sobrevivência política pode levá-lo a sabotar qualquer iniciativa de paz que venha a ser sugerida por Trump. Ele poderia ignorar as ordens de Trump ou buscar apoio de aliados na OTAN, o que indicaria uma manobra para revitalizar o conflito, uma estratégia já empregada em 2022. O impacto das ações de Zelensky também está conectado à relação do Ocidente com a Ucrânia, especialmente no que se refere à União Europeia e ao Reino Unido, que têm investido recursos substanciais no contexto ucraniano. Esses países já arcam com um custo econômico significativo, estimado em trilhões, e podem não estar dispostos a deixar que a solução diplomática arruine seus interesses.
Entretanto, um elemento crítico que pode complicar a situação é o papel do Congresso dos Estados Unidos. Para que Trump possa fazer qualquer movimento em direção a um acordo de paz, ele necessitará do apoio legislativo para revogar sanções e redirecionar ajuda militar. A polarização política nos EUA, onde até mesmo dentro do Partido Republicano existem vozes críticas ao envolvimento com a Rússia, pode facilmente frustrar suas intenções. Isso sem contar os vestígios de uma oposição ativa, conhecida como “Estado profundo”, que resistiu a quaisquer tentativas de Trump de reatar laços com Moscou durante seu primeiro mandato. O jogo geopolítico envolvendo Rússia, Ucrânia e Estados Unidos é complexo, e a dinâmica atual sugere que os obstáculos à paz não estão somente nas batalhas de campo, mas também nas intrigas políticas em curso.
