A prisão do pastor foi convertida em preventiva apenas um dia após sua detenção, e as investigações já se estendiam há dois anos, tocadas por denúncias de fiéis que alegavam abusos e práticas coercitivas na Shekinah House Church, a igreja dirigida por Silva. Até o momento, ao menos seis vítimas foram identificadas, com relatos que se estendem até os estados vizinhos do Pará e do Ceará.
Segundo informações da polícia, o pastor implementava um sistema de punições onde aproximadamente 150 fiéis eram submetidos a castigos físicos e psicológicos. Um dos métodos mais chocantes incluía chicotear as vítimas, que eram obrigadas a suportar pelo menos 25 golpes caso desrespeitassem as regras estabelecidas ou desobedecessem suas ordens. Além dessa brutalidade física, as vítimas também eram forçadas a manter relações sexuais.
A gravidade dos relatos se intensifica com afirmações de que Silva, casado, abusou tanto de homens quanto de mulheres, incluindo menores de idade. Vídeos obtidos pelas autoridades revelam as humilhações e os espancamentos a que os fiéis eram submetidos como forma de disciplina. Documentos apreendidos expressam o temor dos seguidores, com uma frase repetida: “Eu preciso aprender a respeitar o meu líder”.
Um dos sobreviventes da igreja compartilhou sua experiência nas redes sociais, detalhando o sofrimento que passava nas mãos do pastor em 2013. Ele relatou ter sido agredido e submetido a choques elétricos, com Silva alegando que as práticas eram para expelir “demônios” dos fiéis.
Neste contexto alarmante, a coluna “Na Mira” busca contatar a defesa de David Gonçalves Silva, mantendo a porta aberta para qualquer manifestação sobre o caso. A situação destaca a vulnerabilidade de indivíduos sob a influência de líderes religiosos e a necessidade de vigilância sobre práticas abusivas em ambientes religiosos.
