Papa Francisco cobra responsabilidade da Europa para enfrentar fenômeno migratório e denuncia “fanatismo da indiferença”

O papa Francisco fez um apelo neste sábado para que a Europa assuma responsabilidade no enfrentamento do fenômeno migratório, denunciando o “fanatismo da indiferença”. O pontífice argentino concluiu sua visita a Marselha, no sudeste da França, com uma missa campal para milhares de pessoas.

A viagem do papa ocorreu logo após cerca de 8.500 migrantes chegarem à ilha italiana de Lampedusa, no mar Mediterrâneo. Desde 2014, mais de 28 mil migrantes desapareceram na tentativa de chegar à Europa a partir da África. Para o papa Francisco, essas pessoas não invadem, mas buscam acolhida.

Ao longo da semana, o pontífice participou de debates entre jovens e bispos do Mediterrâneo, onde ressaltou seu compromisso em alertar sobre as tragédias enfrentadas pelos migrantes em diversas regiões do mundo. Na sexta-feira, ele depositou uma coroa de flores no memorial aos desaparecidos no mar e fez um apelo em favor dos migrantes e das ONGs que os ajudam.

As fortes declarações do papa ocorrem em um contexto cada vez mais hostil para os migrantes na Europa, como é o caso da França, que anunciou que não acolherá pessoas vindas de Lampedusa. No entanto, a visita do papa despertou grande interesse, apesar do declínio do catolicismo no país.

O presidente francês, Emmanuel Macron, que se reuniu com o papa durante meia hora, esteve presente na missa, acompanhado de sua esposa. Isso gerou críticas da esquerda, que alegou que a presença de um presidente na liturgia “atropela” a neutralidade religiosa. No entanto, Macron ressaltou que sua presença se dá como presidente e não como católico, destacando sua sensibilidade em relação à espiritualidade.

Enquanto a França está prestes a anunciar seu plano de ajuda ativa para a morte, o papa alertou contra a perspectiva de uma morte doce. Segundo ele, essa visão é falsamente digna e deve ser evitada.

Dessa forma, o papa Francisco encerrou sua visita a Marselha com um clamor por responsabilidade e acolhida diante do fenômeno migratório. Suas palavras ressoaram em meio à hostilidade enfrentada pelos migrantes na Europa, destacando a importância de se enfrentar o “fanatismo da indiferença” e promover a solidariedade entre os povos.

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