Leniel narrou que buscou Henry em seu condomínio, localizado na Barra da Tijuca, e observou marcas no corpo do menino que o alarmaram. Ele mencionou que, nos fins de semana anteriores, Henry demonstrava um comportamento considerado “atípico”, chorando e se mostrando relutante em voltar para a casa da mãe. O vereador, ciente das dificuldades da separação ocorrida cerca de seis meses antes, lembrou-se de que algumas pessoas próximas atribuíam essas reações à nova dinâmica familiar.
Em um dia particularmente angustiante, quando devolveu Henry a Monique, o menino ficou visivelmente apreensivo. Leniel descreveu um momento em que Henry, ao saber que não iria para a casa da avó, mas sim para a residência da mãe, teve ânsia de vômito e suplicou: “não, mamãe”. Monique, por sua vez, teria respondido que seu filho precisava “entender que o céu não é tão azul quanto ele acha”.
A juíza Elizabeth Machado Louro questionou Leniel sobre a decisão de entregar a criança à mãe, apesar das expressões de resistência. O vereador justificou que temia perder a guarda compartilhada se descumprisse o combinado, afirmando que, com o conhecimento que possui hoje, agir diferente teria sido sua escolha.
Durante o depoimento, Leniel também denunciou que enfrenta coação por parte de familiares e advogados ligados aos réus desde a morte de seu filho. Ele relatou que ataques e comentários hostis têm sido proferidos contra ele nas redes sociais e durante sessões na Câmara Municipal do Rio. Esse clima hostil fez com que a juíza intervenha com frequência, devido a interrupções constantes da defesa e da acusação.
A parte mais tocante do depoimento ocorreu quando Leniel, visivelmente emocionado, rememorou o último vídeo gravado com Henry, onde o menino cantava a música “Mãezinha do Céu”. Ele declarou que a gravação simboliza uma das últimas lembranças que possui de seu filho, intensificando o peso de sua dor durante o processo judicial.
