PagBank enfrenta desaceleração no crédito e aumenta provisões; analistas permanecem cautelosos sobre perspectivas de crescimento e lucratividade da empresa.

A PagBank, que vinha destacando o crédito como seu principal motor de crescimento para os próximos anos, apresentou resultados que acenderam sinais de alerta em seu recente balanço do segundo trimestre de 2026. Embora a carteira de crédito tenha registrado um crescimento anual de 30,7%, alcançando R$ 5,1 bilhões, a performance trimestral revelou um avanço modesto de apenas 2%. Esse resultado ficou abaixo das expectativas do Itaú BBA, que já havia antecipado que tal recuo seria uma das maiores decepções do trimestre, especialmente considerando a meta audaciosa de atingir R$ 25 bilhões em sua carteira até 2029.

Os resultados financeiros da PagBank mostraram um lucro líquido não contábil de R$ 576 milhões, refletindo uma alta de 2% em relação ao ano passado, o que está alinhado com as previsões do mercado. Contudo, ao utilizar critérios contábeis, o lucro calculado pela BTG Pactual foi de R$ 549 milhões, o que representa uma queda de 4% em comparação com as expectativas, o que evidencia um descompasso nas análises desses resultados financeiros.

Um aspecto preocupante que pula aos olhos é o aumento das despesas com perdas de crédito. As despesas saltaram de R$ 28 milhões no mesmo período do ano passado para R$ 70 milhões, com analistas atribuindo a mudança ao fato de que a PagBank alterou sua abordagem, optando por oferecer linhas de crédito mais arriscadas sem garantias, em vez de opções mais seguras com lastro.

Este ajuste no portfólio elevou a proporção de crédito não garantido de 21,1% para 24,3% em apenas um trimestre, o que, por sua vez, gerou um aumento na inadimplência. O indicador de atrasos acima de 90 dias subiu para 3,4%, um aumento que traz preocupações em relação à saúde financeira da instituição.

Além disso, para o primeiro semestre de 2026, o crescimento do lucro bruto ficou em apenas 2% em comparação ao ano anterior, distantes da meta projetada de crescimento entre 6% e 9% para o ano. O aumento das despesas operacionais também foi significativo, encarecendo o custo operacional total, que alcançou R$ 894 milhões.

Por outro lado, há um sinal de alívios, como a redução contínua do custo de captação, que se manifesta em uma margem bruta que atingiu 39,4%, a maior em várias análises trimestrais. Contudo, apesar desses dados positivos, a cautela seguiu presente entre os analistas, que mantiveram uma postura neutra em relação à ação da PagBank após os resultados do balanço, com recomendações que sinalizam uma insegurança quanto ao futuro próximo da empresa, enquanto a pressão da inadimplência e as ambições de lucro continuam a ser um tópico de preocupação no mercado.

Jornal Rede Repórter - Click e confira!


Botão Voltar ao topo