Os agentes de IA, equipados para realizar pesquisas de produtos e efetuar compras de forma autônoma, eliminam a necessidade da intervenção humana no processo de pagamento. A tendência é promissora, mas não isenta de desafios. As bandeiras estão cientes de que a segurança nas transações e a confiança do consumidor são aspectos cruciais que exigem máxima atenção. Durante o Congresso de Meios Eletrônicos de Pagamento (CMEP), um importante evento do setor, o presidente da Visa Brasil, Rodrigo Cury, afirmou que o comércio agêntico é uma realidade presente, contrário à ideia de ser uma mera projeção futura. Uma pesquisa da Visa revelou que aproximadamente 80% dos brasileiros estão abertos a essa prática, um número que é o dobro do visto nos Estados Unidos. Contudo, Cury destacou que a criatividade para desenvolver sistemas fraudulentos no Brasil muitas vezes supera a capacidade de criar métodos de prevenção.
Marcelo Tangioni, presidente da Mastercard no Brasil, complementou a discussão afirmando que as bandeiras atuam como reguladoras do mercado, estabelecendo normas que devem ser seguidas por todos os participantes, como credenciadoras e instituições financeiras. Ele enfatizou a importância de se definir regras para situações que envolvam compras realizadas por agentes de IA, especialmente em casos de disputas comerciais onde o chargeback se torna uma ferramenta essencial.
Giancarlo Greco, presidente da Abecs e CEO da Elo, também chamou a atenção para as novas questões de segurança que emergem com as transações mediadas por IA. Ele usou o exemplo de carros elétricos autônomos, que fazem pagamentos sem intervenção humana, para ilustrar a complexidade que a autenticação e a aprovação de pagamentos podem assumir. Embora protocolos de segurança existentes já sejam robustos, Greco ressaltou que é fundamental garantir que tanto a segurança quanto a velocidade de adoção estejam equilibradas.
Essas inovações e discussões sobre o futuro dos pagamentos refletem uma evolução acelerada no setor, promovendo um ambiente onde tecnologia e segurança caminham lado a lado. Contudo, para que essa transição ocorra de forma eficaz, é essencial que todos os envolvidos no ecossistema financeiro estejam preparados para os desafios que virão, garantindo uma adoção segura e confiável das novas tecnologias.
