Turista colombiana deixa Brasil após suposta ofensa racista em apresentação cultural na Rocinha; polícia investiga e busca identidade da suspeita.

Uma turista colombiana está no centro de uma controvérsia após um incidente ocorrido em uma apresentação de capoeira na Rocinha, Zona Sul do Rio de Janeiro. O delegado Mário Jorge Ribeiro de Andrade, responsável pela Delegacia da Rocinha, confirmou que a visitante já havia deixado o Brasil antes que a polícia recebesse a denúncia formal. O episódio teria ocorrido na última terça-feira (26), mas a ocorrência foi registrada apenas na quinta-feira seguinte.

A investigação se concentra na identificação da mulher, e a Polícia Civil já enviou ofícios à companhia aérea e à Polícia Federal para verificar se ela constava na lista de passageiros do voo em que deixou o país. Andrade informou que está buscando informações adicionais junto à Polícia Federal para confirmar a identidade da turista.

Caso a identidade seja verificada, o delegado planeja utilizar mecanismos de cooperação internacional para solicitar o depoimento da suspeita. As autoridades estão investigando o caso por injúria baseada em preconceito, um tema que gera intenso debate social no Brasil.

Os detalhes do incidente foram revelados através de relatos de capoeiristas que se apresentavam para um grupo de turistas. O capoeirista Rhian Gerônimo Martins da Silva, conhecido como Nescau, descreveu a perplexidade do grupo diante do ato da mulher, que tentou colocar uma banana em uma sacola destinada a arrecadar contribuições. Ele expressou que à princípio não compreenderam a intenção do gesto, mas logo perceberam a gravidade da situação, associando-a a questões raciais.

A situação se tornou ainda mais complicada quando a mulher foi vista sorrindo ao deixar o local e até mesmo tentou tirar uma foto com Nescau logo após o episódio. O guia Jefferson Barros, que tinha a responsabilidade de acompanhar o grupo de turistas, revelou que alertou a mulher sobre a gravidade de seu ato, classificando-o como uma ofensa racial.

A repercussão do caso levou o grupo Na Favela Turismo, responsável por passeios na comunidade, a emitir uma nota de repúdio ao ato, reiterando seu compromisso com um turismo respeitoso, que valoriza a diversidade e a cultura local.

Este episódio se insere em um contexto maior de combate ao racismo no Brasil. Um caso semelhante ocorreu em janeiro deste ano, envolvendo uma advogada argentina, que também enfrentou sérias consequências legais por comportamento racista em um bar. A sociedade brasileira continua a debater a importância de combater atitudes preconceituosas, tanto de cidadãos quanto de turistas, visando promover um ambiente de respeito e inclusão.

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