Um paciente de 63 anos, conhecido como o “paciente de Oslo”, experimentou a remissão do HIV após um transplante de medula óssea realizado com células de seu irmão. O doador possuía uma rara mutação genética, a CCR5Δ32, que confere resistência ao vírus HIV. Este caso foi apresentado recentemente em um artigo na revista científica Nature Microbiology.
O paciente, que era portador do HIV desde 2006, desenvolveu uma síndrome mielodisplásica — um tipo de câncer no sangue — em 2017. Para tratar essa condição, os médicos decidiram que um transplante de medula seria necessário. A equipe buscou inicialmente um doador que apresentasse a mutação genética, mas não encontrou. Foi então que optaram pelo irmão do paciente, que se revelou compatível e, para a surpresa da equipe médica, também tinha a valiosa mutação.
Após o transplante, que ocorreu há cinco anos, o paciente passou a ser monitorado de perto. Três anos após a interrupção da terapia antirretroviral, não foram detectados sinais de replicação do vírus ou de reservatórios virais no sangue ou intestinos do homem. Este representa o sexto relato documentado de remissão do HIV após esse tipo de transplante utilizando a mutação CCR5Δ32.
Entretanto, é fundamental destacar que a utilização do transplante como opção de tratamento para o HIV não está disponível para todos. O procedimento apresenta um risco significativo, com taxas de mortalidade que variam entre 10% e 20% no primeiro ano, o que torna a intervenção ética apenas em situações onde os pacientes enfrentam doenças hematológicas fatais.
Estudos adicionais ressaltam que a variante genética CCR5Δ32 ocorre com maior frequência em populações do norte da Europa. E muitos dos casos de remissão do HIV registrados até agora surgem de regiões onde essa mutação é mais comum. Assim, embora o caso do paciente de Oslo traga esperança, ele reforça a complexidade do tratamento do HIV e a necessidade de pesquisas contínuas.






