STF alcança a pior avaliação da história, com 40% dos brasileiros considerando ministros ruins ou péssimos, amid divisão interna e crise de imagem.

Em recente levantamento do Datafolha, o Supremo Tribunal Federal (STF) enfrenta um dos piores momentos de avaliação da sua história, com 40% dos brasileiros classificando o trabalho dos ministros como ruim ou péssimo. Esta pesquisa reflete um cenário de forte desgaste, amplificado por um racha interno na corte e pelo polêmico caso Master, que envolveu diretamente os ministros Dias Toffoli e Alexandre de Moraes.

A pesquisa revela que apenas 22% dos entrevistados avaliam o desempenho do STF como ótimo ou bom, enquanto 34% consideram o trabalho regular. Esses números permanecem estáveis em comparação a meses anteriores, mas ressaltam uma insatisfação crescente entre a população. A crise atual é reminiscentemente parecida àquela vivida em 2019, quando a corte enfrentou críticas aceradas após decisões que contrariaram a operação Lava Jato, e novamente em 2023, no auge dos conflitos entre apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro e os ministros do STF.

O divisor de águas nesse contexto é a divisão explícita que se instaurou entre os próprios ministros, com um grupo liderado por Moraes, Gilmar Mendes e Flávio Dino de um lado, e outro grupo, que inclui Edson Fachin e Cármen Lúcia, do outro. Essa fratura interna não só polariza o tribunal, mas também aumenta a pressão sobre Fachin, atual presidente do STF, para que adote uma postura mais firme em defesa da instituição, além de tratar de pautas sociais que incluem a reforma dos penduricalhos salariais dos ministros.

Ademais, as avaliações do STF variam consideravelmente entre diferentes segmentos da população. Entre os eleitores que apoiam o presidente Lula, 40% têm uma visão positiva da corte, enquanto apenas 16% a consideram negativa. Em contraste, entre os que declaram voto em Flávio Bolsonaro, a crítica atinge 64%. Essa polarização se intensifica conforme aumentam o nível de escolaridade e a faixa de renda; a reprovação chega a 63% entre aqueles que ganham mais de dez salários mínimos.

Diante desse cenário, o STF não apenas luta contra a desaprovação popular, mas também se vê em um impasse interno que poderá definir o futuro da instituição. Reformas e uma possível mudança na forma como a corte se apresenta ao público parecem ser medidas imprescindíveis para recuperar a confiança da população, que, aos poucos, se distancia da percepção de um tribunal que deveria ser um pilar do Estado democrático de direito. A questão que persiste é: o STF conseguirá superar essa crise de imagem e restabelecer sua credibilidade?

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