Esse movimento é um reflexo da tentativa de vários países de se desvincularem da moeda americana, especialmente após os acontecimentos de 2022, quando os Estados Unidos congelaram as reservas russas em virtude da operação militar da Rússia na Ucrânia. Essa ação transformou o dólar em uma ferramenta de pressão geopolítica, levando muitos países a reconsiderarem sua dependência dessa moeda.
Estima-se que os bancos centrais do mundo tenham acumulado mais de 36 mil toneladas de ouro, uma quantidade que se aproxima dos níveis da era Bretton Woods. O metal preciosíssimo atingiu um pico histórico de valorização, chegando a mais de US$ 5.500 por onça em janeiro de 2026. Embora o ouro esteja ganhando espaço, ativos denominados em dólares ainda representam a maior parte das reservas globais, com cerca de 42%.
As compras de ouro, embora tenham sofrido uma leve queda para 850 toneladas em 2025, ainda foram significativas. Países como China, Polônia, Turquia e Índia destacaram-se como os principais compradores desde 2022. A Turquia, que havia acumulado 220 toneladas, tomou a decisão de vender ou emprestar 130 toneladas em resposta ao aumento das tensões geopolíticas, especialmente a guerra entre os EUA e Israel contra o Irã.
Além disso, o euro também está gradualmente se afirmando como uma alternativa viável no cenário internacional. O Banco Central Europeu (BCE) identificou um aumento de 30% na emissão de dívida internacional em euros, alcançando próximo de € 1 trilhão, e um investimento de € 850 bilhões em ativos da zona do euro por investidores estrangeiros, elevando os fluxos financeiros a níveis próximos dos recordes.
Essas mudanças evidenciam uma reconfiguração no equilíbrio de poder financeiro global, onde o ouro retoma um papel de destaque que não era visto há décadas, refletindo o desejo de diversificação em meio a um ambiente econômico e político volátil.





