Aliados de Michelle argumentam que a recente declaração de Eduardo apenas reafirma sua necessidade de defesa pública, ressaltando que ataques à sua figura não cessam, mesmo enquanto é pressionada a manter a harmonia dentro do clã Bolsonaro e entre os apoiadores do bolsonarismo. Esses interlocutores consideram incoerente que ela enfrente críticas abertas ao mesmo tempo em que deve ser uma mediadora em questões familiares. O atrito inicial entre Michelle e Flávio remonta às negociações eleitorais no Ceará, onde Michelle defendia a candidatura da vereadora Priscila Costa, claramente contrária aos interesses do irmão, que optou por apoiar Alcides Fernandes.
A disputa se intensificou quando Michelle expressou publicamente suas preocupações sobre a aproximação do PL com o ex-candidato à presidência Ciro Gomes, e a resposta de Flávio foi categórica, classificando a postura da ex-primeira-dama como “autoritária”. Seus irmãos, Eduardo e Carlos, juntaram-se a ele em defesa, questionando as motivações de Michelle e lançando dúvidas sobre sua postura.
A partir desse cenário conturbado, os aliados de Michelle consideram que a acusação de Eduardo revela um desinteresse dos filhos de Jair Bolsonaro em resolver os conflitos internamente, contradizendo a narrativa de que divergências familiares devem ser tratadas em casa. Nesse contexto, a postura belicosa e as críticas abertas dos irmãos de Jair, desde o agravamento da crise, tornaram a situação ainda mais delicada.
Além das questões familiares, o novo incidente fez com que a ex-primeira-dama decidisse intensificar sua segurança pessoal, dado o aumento dos discursos hostis e ataques virtuais direcionados a ela, o que, segundo sua equipe, poderia culminar em situações de violência fora das redes sociais.
Apesar da turbulência, Michelle parece determinada a focar em sua própria agenda política no Distrito Federal, distanciando-se da campanha presidencial de Flávio. A ex-primeira-dama deverá anunciar sua decisão sobre uma candidatura ao Senado apenas nas convenções partidárias, no início de agosto, quando sua presença na convenção nacional do PL ainda permanece incerta. Enquanto isso, a direção do partido tenta mostrar que a crise está sendo superada, reafirmando o convite à ex-primeira-dama para se juntar a uma convenção nacional, reiterando seu valor político não apenas para o Distrito Federal, mas para o Brasil como um todo.





