O Banco Central Europeu (BCE) confirmou essa tendência, observando que, no mesmo período, a participação dos Treasuries americanos caiu de 25% para 22%. Este fenômeno é uma resposta direta aos esforços de vários países para reduzir a dependência do dólar americano, uma tendência que se intensificou desde 2022, especialmente após o congelamento das reservas russas pelos Estados Unidos em decorrência do conflito na Ucrânia. Isso transformou o dólar em um instrumento de pressão política, levando n ações a uma reconsideração sobre suas reservas.
Christine Lagarde, presidente do BCE, destacou que as tensões internacionais continuam a exercer uma forte influência sobre a demanda por ouro. Atualmente, os bancos centrais acumulam mais de 36 mil toneladas de ouro, se aproximando dos níveis observados na era Bretton Woods. O preço do ouro também experimentou uma valorização significativa, ultrapassando US$ 5.500 por onça em janeiro de 2025, solidificando sua posição como um ativo monetário de destaque.
Entretanto, cabe ressaltar que, embora as aquisições de ouro pelos bancos centrais tenham recuado para 850 toneladas em 2025, após três anos de compras superiores a 1.000 toneladas, países como China, Polônia, Turquia e Índia continuam liderando essa corrida. Notavelmente, a Tether se destacou como a maior compradora individual, adquirindo mais de 100 toneladas no último ano.
Além disso, a Turquia, que acumulou 220 toneladas desde 2022, recentemente fez uma das maiores reduções ao vender ou emprestar 130 toneladas, numa resposta aos conflitos entre os EUA, Israel e Irã. O BCE também observou um crescimento do euro como moeda de reserva, um reflexo do aumento nas emissões de dívida em euros, que cresceu 30%, alcançando quase € 1 trilhão em 2025.
Portanto, embora o dólar continue a ser a principal moeda no sistema financeiro global, os fatores geopolíticos e a busca por diversificação têm reconfigurado as reservas internacionais, permitindo que o ouro resgate um papel de destaque não visto há várias décadas.
