Operação Juro Zero revela supostas cobranças irregulares de R$ 81,7 milhões pelo PicPay a servidores do DF; mandados de busca são cumpridos.

Uma investigação conduzida pelo Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) revelou indícios de que o banco digital PicPay descontou um total de R$ 81,7 milhões de servidores do Governo do Distrito Federal entre 2024 e agosto de 2025. A operação, denominada “Juro Zero”, culminou na execução de um mandado de busca e apreensão na residência de um diretor da fintech, que é controlada pelo conglomerado J&F.

Em resposta aos desdobramentos da investigação, o PicPay negou qualquer irregularidade associada às suas operações financeiras e refutou as alegações sobre cobranças indevidas. A Secretaria de Economia do DF, por sua vez, esclareceu que a investigação foca na conduta de agentes públicos e não na atuação institucional da pasta. O Banco de Brasília (BRB) não se manifestou sobre o assunto.

O embrolho começou a partir de um decreto publicado pelo Governo do Distrito Federal em 2024, que instituiu uma nova modalidade de crédito consignado com a promessa de isenção de juros. Entretanto, segundo os promotores, o PicPay introduziu uma taxa compulsória conhecida como “taxa de antecipação”, que foi considerada irregular. As taxas cobradas pela fintech variaram entre 2,99% e 7,55% para prazos inferiores a 30 dias, resultando em taxas efetivas anuais superior a alarmantes 2.612,31%.

No que diz respeito às operações financeiras, a investigação apontou que, em 2024, foram realizados R$ 11,7 milhões em descontos compulsórios, enquanto em 2025, até o mês de agosto, esse valor aumentou para mais de R$ 70 milhões — um dado que já havia sido divulgado anteriormente.

A apuração também revelou que associações de servidores públicos estavam realizando descontos fraudulentos em favor da Associação dos Servidores Públicos do Distrito Federal (ASDF), que também se tornou alvo da operação. O Tribunal de Justiça do DF autorizou a investigação, destacando um crescimento incomum de 48.000% na arrecadação da ASDF em um período de apenas 20 meses. Este aumento, segundo a análise do Tribunal de Contas do DF, indica um comportamento completamente dissociado da capacidade real da entidade, que opera em um espaço de coworking e não possui uma infraestrutura adequada.

Entre os alvos da operação estão figuras proeminentes, como Paulo Henrique Costa, ex-presidente do BRB, o ex-secretário de Economia do DF, Ney Ferraz, e Eduardo Chedid Simões, diretor do PicPay, todos implicados em um esquema que foge da normalidade e da legalidade. A situação levanta questões críticas sobre a supervisão das atividades financeiras no âmbito governamental e a necessidade de maior rigor na fiscalização das operações bancárias.

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