NASA encontra sete compostos orgânicos em Marte, incluindo cinco inéditos, indicando potencial para vida microbiana no planeta vermelho, segundo pesquisadores.

A Administração Nacional da Aeronáutica e Espaço (NASA) anunciou, em um relatório recente, a descoberta de sete compostos orgânicos em Marte, dos quais cinco nunca haviam sido observados até então. Essa detecção foi possível graças ao trabalho do rover Curiosity, que está explorando o planeta vermelho desde seu pouso em 2012. O principal objetivo da missão é investigar se Marte já ofereceu as condições necessárias para a vida microbiana.

As novas descobertas foram feitas com um experimento inovador que foi realizado pela primeira vez fora da Terra. Entre os compostos identificados, um em particular se destaca: ele possui uma estrutura semelhante à dos precursores do DNA, a molécula essencial para o armazenamento das informações genéticas na biologia terrestre. O avanço nas pesquisas foi publicado na revista Nature Communications.

Compostos orgânicos, por definição, são moléculas que contêm carbono e outros elementos, formando a base da vida como conhecemos. No entanto, os cientistas alertam que os compostos encontrados em Marte podem ter se formado através de processos não biológicos, o que levanta questões sobre sua origem.

Os pesquisadores estimam que esses compostos podem ter se preservado durante aproximadamente 3,5 bilhões de anos, remanescendo da época em que a cratera Gale foi formada por um impacto meteórico. Amy Williams, pesquisadora da Universidade da Flórida e líder da equipe responsável pelo estudo, enfatizou a importância dessa preservação: “É extremamente útil ter evidências de que a matéria orgânica antiga foi preservada, pois isso ajuda a avaliar a habitabilidade de um ambiente. Se quisermos buscar vestígios de vida na forma de carbono orgânico, isso demonstra que é possível.”

As amostras foram coletadas em 2020, durante as investigações na Cratera Gale, que continua a ser um centro de foco para o rover. Embora a pesquisa não consiga concluir se os compostos encontrados são sinais de vida antiga ou se foram transportados por meteoritos, a identificação de substâncias, como o benzotiofeno, que é frequentemente associado a meteoritos, sugere uma interconexão entre Marte e a Terra.

Williams também comentou que “as mesmas substâncias que chegaram a Marte por meio de meteoritos também caíram na Terra e provavelmente forneceram os blocos de construção da vida como a conhecemos.” Para responder completamente às perguntas sobre a potencial habitabilidade de Marte, a NASA pretende trazer amostras de rochas marcianas para análise no planeta Terra.

Embora a evidência ainda não comprove que Marte tenha abrigado vida, as descobertas recentes tornam cada vez mais evidente que o planeta vermelho possui um histórico que favorece a busca por vida, especialmente na época em que a biologia na Terra começou a se desenvolver. As investigações estão apenas começando, mas cada novo dado coletado oferece promissoras pistas sobre a história antiga de Marte.

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