MUNICIPIOS – Senado Aprova PEC que Pode Causar Impacto de R$ 70 Bilhões nos Municípios e Levanta Preocupações sobre Sustentabilidade Financeira Local

O Senado Federal aprovou, nesta terça-feira, 14 de julho, em dois turnos, a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 14/2021, que define novas diretrizes para a contratação e aposentadoria de Agentes Comunitários de Saúde (ACS) e Agentes de Combate a Endemias (ACE). Com essa aprovação, a proposta segue agora para promulgação no Congresso Nacional. A Confederação Nacional de Municípios (CNM) expressou a importância das funções desempenhadas por essas categorias, mas levantou preocupações sobre os possíveis impactos financeiros que a proposta pode provocar nos orçamentos municipais, estimados em R$ 70 bilhões.

A CNM, em recentes mobilizações, como a XXVII Marcha a Brasília em Defesa dos Municípios, tem enfatizado as consequências negativas que a aprovação da PEC pode ter sobre a saúde fiscal dos municípios. O presidente da CNM, Paulo Ziulkoski, reiterou a preocupação em alertar o Senado sobre o que considera uma “pauta-bomba”, que poderá comprometer a autonomia e a capacidade financeira dessas esferas governamentais.

Além do pesado impacto financeiro, a proposta é vista pela CNM como potencialmente inconstitucional, já que estabelece diretrizes previdenciárias e funcionais que podem ferir a autonomia administrativa local. A redução dos requisitos para aposentadoria prevista na PEC pode onerar excessivamente os Regimes Próprios de Previdência Social (RPPS), provocando déficits previdenciários e ameaçando a estabilidade fiscal dos municípios. A entidade também destacou que tal medida colide com o disposto no artigo 167 da Constituição, que proíbe a transferência de encargos financeiros sem a devida previsão orçamentária. Se não houver um financiamento federal duradouro e eficaz para suportar essas novas obrigações, as administrações locais poderão enfrentar sérias dificuldades, prejudicando a oferta de serviços essenciais à população.

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