MUNICIPIOS – Lei Maria da Penha: 20 anos de desafios e avanços na proteção das mulheres enfrentam forte resistência e alta de feminicídios no Brasil

A Lei Maria da Penha, em seus 20 anos de vigência, se consolida como uma importante ferramenta de proteção às mulheres em um país marcado por altos índices de violência doméstica. Essa legislação, considerada um avanço civilizatório, estruturou um alicerce legal e institucional para garantir a segurança feminina. Apesar de seu impacto positivo, a Confederação Nacional de Municípios (CNM) enfatiza a necessidade de fortalecer os mecanismos de acolhimento e proteção às mulheres.

Dados alarmantes foram registrados em 2025, com 1.571 feminicídios, um aumento de 4% em relação ao ano anterior. Adicionalmente, o anuário do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP) revelou 286.270 casos de violência doméstica, uma elevação de 2,6% em comparação a 2024. A implementação do Plano Nacional de Políticas para as Mulheres, junto a medidas protetivas de urgência e a proibição de penas pecuniárias, representa alguma evolução, mas os desafios persistem.

O Ministério das Mulheres indicou que apenas um pouco mais de 1.045 Municípios possuem secretarias dedicadas às políticas voltadas para as mulheres, um diferencial essencial para a construção de uma rede eficaz de proteção. Em um recente evento em Brasília, Tania Ziulkoski, presidente do Movimento Mulheres Municipalistas, ressaltou que a verdadeira democracia não existe enquanto mulheres viverem com medo e forem alvo de violência em suas residências.

Outro ponto crítico é o descumprimento das medidas protetivas de urgência, que se revela um dos principais obstáculos para a eficaz aplicação da Lei Maria da Penha. Para cada feminicídio consumado, existem 84 casos de descumprimento de medidas protetivas; aproximadamente 70 vítimas já possuíam uma MPU ativa na hora do crime. A CNM recomenda que gestores locais adotem estratégias que considerem as especificidades territoriais. Para municípios com guarda municipal, a criação de Patrulhas Maria da Penha pode contribuir de forma efetiva na fiscalização dessas medidas. Sem essa estrutura, é vital que políticas intersetoriais se unam para fortalecer as redes de acolhimento e prevenir a violência contra mulheres, priorizando a intervenção em fatores de risco.

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