Como mencionei anteriormente, fui criada por um pai militar, o que resultou em uma educação pautada por regras rigorosas, palavras incisivas e verdades ditas de forma direta. Enfrentei inúmeros desafios ao longo da minha vida, superando medos e fragilidades para me tornar quem sou hoje. Desde a infância, busquei expressar minhas opiniões com determinação, mesmo que em alguns momentos isso se manifestasse em meio a lágrimas e nervosismo.
Aos 54 anos e em constante evolução, me vejo muitas vezes como aquela menina diante de um mundo vasto e opressor para as mulheres. Em certas ocasiões, sinto-me pequena, mas ainda assim repleta de coragem para me posicionar da melhor forma possível, mesmo que não tão eficaz como Kamala. Recentemente, vivenciei um episódio onde me distanciei da força determinada e estável que tanto admiro, cedendo às lágrimas e à perda da voz em meio a uma reunião de trabalho. Esse momento inesperado me levou a refletir sobre minha própria conduta e me julgar de forma implacável.
Como mulheres, temos o direito de debater em igualdade, de chorar e até mesmo de alterar o tom de voz sem sermos rotuladas de histéricas. Situações de extrema violência velada podem nos levar ao limite, tirando a nossa capacidade de raciocínio e levando-nos a reações não convencionais. Entretanto, é importante ressaltar que ao reagirmos de alguma forma, nos tornamos mais fortes, mais vivas e mais donas de nós mesmas. Continuo admirando Kamala, mas agora com a consciência de que provavelmente nunca serei exatamente como ela.