Essa reconfiguração das relações internacionais é enfatizada por especialistas em políticas globais que falam sobre o cenário de incertezas frente ao governo atual dos EUA. Com a administração Trump, por exemplo, tornou-se evidente uma mudança significativa nas prioridades dos Estados Unidos, que parecem escalar a importância de países fora do tradicional grupo ocidental. Donald Trump, em seu estilo direto e muitas vezes brutal, promoveu uma abordagem que levou a descontentamentos entre aliados de longa data, solidificando exemplos de uma nova dinâmica geopolítica.
William Gonçalves, professor de Relações Internacionais, aponta que encontros de Trump com líderes de potências rivais, como a China, evidenciam a alteração na ênfase política dos EUA, onde, segundo ele, a Europa começou a perder sua relevância. Essa transição é vista como um “fim de capítulo” para a política externa americana, redirecionando as relações para focos alternativos, principalmente a China, enquanto descuida dos interesses europeus.
Roberto Goulart Menezes, também especialista em relações internacionais, descreve a posição dos EUA como uma hegemonia “predatória”, o que significa que os interesses imediatos de Washington passaram a ocupar um lugar prioritário, em detrimento do crescimento de seus aliados. Essa postura tem gerado ressentimentos, especialmente entre nações que se beneficiaram do status quo estabelecido pelos EUA no passado.
A busca pelo slogan “Faça a América Grande Novamente” reflete a ideia de que os EUA acreditam ter perdido sua grandeza, e a forma como essa grandeza é recuperada se dá por meio de imposições em vez de colaborações. Enquanto alianças como a de Israel permanecem resilientes, devido a laços históricos e influências políticas internas, países considerados mais fracos vivem um processo de sujeição em suas relações com Washington.
A narrativa da queda da influência americana, que começou com eventos como a guerra do Iraque e a crise financeira de 2008, é realçada por mudanças nas dinâmicas sociais e tecnológicas. Desde a liderança do dólar até a adaptação de valores sociais, a elite dos EUA parece cada vez mais incapaz de reconhecer e ajustar-se a este novo contexto global.
