Morre Renato Machado, ícone do jornalismo e das artes, com mais de quatro décadas de contribuição na TV Globo e paixão por vinhos.

Renato Machado, uma figura emblemática do jornalismo brasileiro, teve sua trajetória marcada por uma dedicação que se desdobrou em diferentes campos artísticos e informativos. Entrou para o Jornal do Brasil em 1969, e desde então, sua carreira foi uma montanha-russa de experiências, que envolveram não apenas o jornalismo, mas também o teatro e a dublagem. O talentoso Renato fez parte do renomado Teatro Oficina, em São Paulo, onde sua paixão pelas artes se manifestou intensamente.

Reconhecido como apresentador do programa “Bom Dia Brasil”, Renato também se destacou como dublador e ator, participando de renomadas montagens teatrais, como “A Tempestade”, de William Shakespeare, e “Antígona”, além de ter aparecido em diversas produções televisionais. A versatilidade de Renato foi amplamente elogiada por seus colegas. Regina Duarte, em uma entrevista em 2012, descreveu René como um homem articulado, culto e de grande bom caráter, ressaltando sua inteligência e sensibilidade.

Na sua vasta carreira, Renato também esteve presente nos primórdios da TV Globo, com participações em programas que marcaram a época, como “Rosinha do Sobrado” e “A Moreninha”. Sua atuação em “Sangue do Meu Sangue”, na TV Excelsior, embora não tenha deixado muitos registros visuais, contribuiu para a formação de sua carreira.

Com mais de quatro décadas na TV Globo, Renato ocupou papéis de destaque, além de apresentar o “Jornal da Globo” e o “RJTV”. Também fez parte da bancada do “Jornal Nacional” e atuou como correspondente internacional em Londres, cobrindo eventos históricos como a Guerra das Malvinas e o famoso acidente na usina nuclear de Chernobyl. Ele mesmo destacou, em entrevistas, a importância do conhecimento acumulado para ser um telejornalista eficaz, enfatizando que a atuação na televisão é uma constante troca de aprendizado.

Fora do campo do jornalismo, Renato tinha uma paixão especial pelo vinho. Nos últimos anos, dedicou-se a compartilhar esse amor por meio de reportagens e documentários, além de lançar um curso online sobre vinhos franceses. Seu interesse pela bebida começou na década de 1970, com a leitura do guia “Hugh Johnson’s Pocket Wine Book”, do qual chegou a escrever o prefácio. Renato não apenas apreciava vinhos; ele também valorizava a beleza das palavras, como expressou ao afirmar que era um “apaixonado pela bela frase”. Essa combinação de talento para a comunicação e amor pelas artes fez de Renato Machado uma referência no cenário brasileiro até o seu falecimento.

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