Morre Antonio Rattín, ícone do Boca Juniors e protagonista de mudança histórica nas regras do futebol, aos 89 anos.

Antonio Ubaldo Rattín, ícone da história do Boca Juniors e figura central em um momento que redefiniu as regras do futebol, faleceu neste sábado, aos 89 anos. Rattín, conhecido como “Rata”, se destacou não apenas pela sua estatura e imponência, mas também pela força de sua personalidade que transcendeu sua posição de volante. Ele não apenas liderou o Boca Juniors como capitão, mas também representou a seleção argentina, ganhando notoriedade mundial por uma expulsão histórica.

Durante sua carreira, que se estendeu de 1956 a 1970, Rattín fez história dentro das quatro linhas, jogando exclusivamente pelo Boca Juniors. Ele teve sua estreia em um Superclássico, com uma vitória sobre o River Plate, e rapidamente se firmou como um pilar essencial da equipe. Somando 382 partidas, Rattín marcou 28 gols e conquistou seis títulos, incluindo cinco campeonatos argentinos e a Copa Argentina de 1969. Sua trajetória foi marcada pela sólida liderança, posicionamento estratégico e uma identificação profunda com o clube que sempre defendeu.

No entanto, foi em um jogo da Copa do Mundo de 1966, contra a Inglaterra, que Rattín se tornou imortal na história do futebol global. Aos 35 minutos do primeiro tempo, ele recebeu uma ordem de expulsão do árbitro Rudolph Kreitlein, mas a comunicação entre eles tornou-se um pesadelo linguístico. Sem o uso de cartões, a decisão foi feita de maneira verbal e por gestos, resultando em uma situação absurda onde Rattín não conseguiu entender o árbitro e, em seu papel de capitão, insistiu em solicitar um intérprete. O impasse se prolongou, com Rattín permanecendo em campo por quase dez minutos, desafiando a decisão.

Deixando o campo sob vaias e lançamentos de objetos pelos torcedores ingleses, Rattín ainda teve um gesto simbólico: retorceu a bandeirinha de escanteio decorada com as cores britânicas, e toda a cena se tornou um símbolo da rivalidade Argentina-Inglaterra no futebol. O resultado da partida, uma derrota por 1 a 0, acabou sendo eclipsado por sua controvérsia e pelo novo conceito de comunicação entre jogadores e árbitros que surgiria a partir desse ocorrido.

Ken Aston, responsável pela comissão de arbitragem da FIFA, viu na situação de Rattín um momento decisivo que exigia a padronização das punições. Motivado por sua experiência em outros jogos complicados, ele teve a ideia de criar um sistema visual para que todas as decisões fossem claras para qualquer jogador ou espectador, independentemente da língua. Assim, surgiu a ideia dos cartões amarelo e vermelho, que foram oficialmente aprovados na Copa de 1970.

Embora Rattín não tenha conseguido conquistar um grande título pela seleção argentina, sua influência vai muito além das medalhas e troféus. Através de sua carreira repleta de conquistas no Boca Juniors e pela sua emblemática expulsão, ele se consolidou como um jogador que ajudou a moldar a maneira como o futebol é jogado e entendido até hoje. A importância de Antonio Ubaldo Rattín transcende números; ele é um exemplo de como uma simples discussão pode mudar a face de um esporte visto e amado mundialmente.

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