O ministro justificou a decisão alegando que Flávio teria utilizado a visita como um meio de obter um documento que serve exclusivamente para ser publicado nas redes sociais, o que contraria as restrições impostas a Jair Bolsonaro, que está sob prisão domiciliar. Essas limitações foram definidas como uma parte das condições humanitárias concedidas a ele em março, condições que foram reafirmadas recentemente.
O cerne da questão surgiu após Flávio Bolsonaro publicar um vídeo anunciando que leria uma “carta aos brasileiros”, um texto que foi subsequentemente apresentado em uma transmissão ao vivo. Nesta carta, o ex-presidente fazia um apelo à união dos seus apoiadores em torno da pré-candidatura presidencial de Flávio, o promovendo como uma “porta-voz” e a melhor escolha para o Brasil no combate à corrupção e à violência.
Moraes considerou que essa ação não apenas desrespeitou as ordens já existentes, mas também indicou que a comunicação tinha a intenção de ser pública, angariando apoio à pré-candidatura de Flávio, configurando potencialmente propaganda eleitoral antecipada. O ministro destacou uma declaração de Flávio, que referia-se à carta como um “recado muito importante”, sugerindo que Jair Bolsonaro estava ciente de que sua mensagem seria divulgada.
Além de suspender o direito de visita, a decisão também encaminhou o caso ao procurador-geral eleitoral, a fim de que eventuais infrações associadas à propaganda eleitoral sejam revistas. O conteúdo da carta levanta questões sobre os limites da prática política e sua adequação às normas vigentes. Flávio, em suas declarações, enfatizou a urgência de unificação entre os apoiadores para a campanha presidencial, definindo a carta como um “ultimato” e chamando todos para se engajarem com sua candidatura.
O cenário ganha ainda mais importância, uma vez que o evento oficial de lançamento da candidatura de Flávio Bolsonaro está agendado para o dia 25, em São Paulo, o que intensifica o debate sobre o uso de plataformas digitais para fins eleitorais. Desde março, esta é a primeira vez que a comunicação escrita havia sido divulgada publicamente, destacando um momento de tensão e estratégia dentro do contexto político atual.
