A ordem do ministro veio após um parecer da Procuradoria-Geral da República (PGR), que, sob a assinatura do procurador-geral Paulo Gonet, considerou a oitiva de Flávio imprescindível para esclarecer os fatos antes que as investigações possam ser concluídas.
Este inquérito foi instaurado em abril deste ano, numa iniciativa de Moraes que seguiu um pedido da PF, apoiado pela PGR. As investigações estão centradas em publicações realizadas por Flávio Bolsonaro na plataforma conhecida como X, datadas de 3 de janeiro de 2026. O relatório encaminhado pela PF ao STF aponta indícios de que o senador teria atribuído falsamente ao presidente Lula a prática de crimes como tráfico de drogas, lavagem de dinheiro, associação com terroristas e até fraude eleitoral. Essas postagens poderiam, segundo os investigadores, configurar uma falsa imputação de crimes ao chefe do Executivo.
Em uma das postagens, Flávio associou imagens de Lula ao presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, e fez afirmações contundentes sobre uma suposta delação do presidente brasileiro. Ele escreveu: “Lula será delatado. É o fim do Foro de São Paulo: tráfico internacional de drogas e armas, lavagem de dinheiro, suporte a terroristas e ditaduras, eleições fraudadas…”, acompanhando a declaração com um print de uma notícia sobre o sequestro de Maduro pelos Estados Unidos.
Com o depoimento de Flávio Bolsonaro em andamento, a PGR terá em mãos o material coletado durante as investigações e, assim, poderá decidir se haverá ou não uma denúncia formal contra o senador. A situação levanta importantes questões sobre as implicações legais de declarações públicas feitas por figuras políticas e o uso das redes sociais para disseminar informações que podem afetar a reputação de outros. O desdobramento deste caso, sem dúvida, continuará a ser acompanhado de perto pela opinião pública e pela imprensa.
