Em um esforço para debelar o mistério, foi anunciada, nesta quinta-feira, a realização de uma operação de coleta de amostras na região na próxima semana. Biólogos do Instituto Carlos Malbrán, localizado em Buenos Aires, estarão acompanhados por profissionais da província da Terra do Fogo para realizar a coleta e analisar os materiais em um laboratório. Este minucioso processo de investigação deverá levar alguns dias até que as amostras sejam devidamente analisadas.
Juan Petrina, diretor de Epidemiologia da Terra do Fogo, mencionou que os resultados das análises devem estar disponíveis em aproximadamente quatro semanas. É crucial que as investigações ocorram rapidamente, já que a província nunca havia registrado casos de hantavírus anteriormente. Portanto, o surgimento da infecção é uma grande preocupação para as autoridades locais, que ainda tentam determinar o momento e o local exatos da primeira infecção entre os passageiros do cruzeiro.
Embora a situação epidemiológica na região não tenha se alterado, segundo Petrina, com nenhum caso reportado após 45 dias da partida do navio, a atenção permanece alta. No sul da Argentina e no Chile, o principal vetor do hantavírus é o rato-do-arroz-pigmeu-de-cauda-longa, uma espécie que é a única a transmitir a cepa que afeta humanos.
Além das questões de saúde, o impacto na indústria turística local também é uma preocupação. Ushuaia, conhecida como o “fim do mundo”, tenta dissociar sua imagem do surto. Autoridades locais têm se empenhado em tranquilizar o público, afirmando que as chances de o paciente zero ter contraído a doença na cidade durante sua breve estadia de 48 horas são “praticamente nulas”. Desde 1996, a província não reporta casos de hantavírus, um dado importante que as autoridades estão determinadas a preservar em meio à atual crise de saúde.





