O estudo, realizado pelo World Weather Attribution (WWA), é fruto de um consórcio de especialistas de instituições renomadas, como o Imperial College London e o Centro de Clima da Cruz Vermelha. Historicamente, a WWA avaliou mais de 120 ocorrências climáticas, tornando-se uma referência em análises do clima global.
A competição, que abrange o período de 11 de junho a 19 de julho, coincide com o início do verão no Hemisfério Norte, que começa oficialmente em 21 de junho. Especialistas apontam que as temperaturas deste verão estão alinhadas com tendências de aquecimento global observadas nas últimas décadas. Desde a Copa de 1994, nos Estados Unidos, o risco de calor extremo praticamente dobrou, em grande parte devido às mudanças climáticas.
A análise revela que as condições climáticas adversas, resultantes da ação humana, tornaram eventos de calor extremo mais prováveis. Esses fatores não apenas comprometem o desempenho esportivo, como também a segurança do público. Apesar de três dos dezesseis estádios dispor de sistemas de climatização, muitos confrontos acontecerão em locais vulneráveis ao calor, como Miami e Nova York, onde um terço dos eventos programados apresenta alto risco.
Em relação à segurança, a FIFPRO, entidade que representa jogadores profissionais, estabeleceu diretrizes que indicam os limites de temperatura segura para a realização de jogos. O diretor médico da FIFPRO, Vincent Gouttebarge, afirma que os dados obtidos são congruentes com suas próprias previsões e destacou a urgência de implementar estratégias efetivas de mitigação de riscos relacionados ao calor.
É importante mencionar que o cenário se torna mais preocupante com a previsão de um fenômeno El Niño, que pode acentuar as altas temperaturas durante o torneio. Os dados indicam que até 25% das partidas poderão ser realizadas sob condições que excedem 26°C de Temperatura de Globo de Bulbo Úmido (WBGT), um índice de risco crucial para a saúde dos atletas.
Os perigos do calor são evidentes, especialmente em atividades intensas como o futebol, onde a regulação da temperatura corporal é vital. O sweat é o principal mecanismo de resfriamento do corpo humano, e uma alta umidade dificulta essa função, o que pode levar a sérios problemas de saúde, incluindo hipertermia e choque térmico.
Entre os jogos destacados devido ao potencial de temperaturas perigosas estão confrontos como França x Senegal e Argentina x Argélia, ambos programados para 16 de junho, além de Tunísia x Holanda em 25 de junho. Para garantir a segurança de atletas e fãs, diretrizes claras e objetivas são essenciais, especialmente em situações de calor extremo.
Os especialistas ressaltam que a análise do risco de calor não deve se limitar à temperatura do ar. Condições de um dia seco são diferentes de um dia com alta umidade e temperaturas similares. Assim, é crucial que tanto jogadores quanto torcedores estejam cientes dos riscos associados, especialmente para populações mais vulneráveis, como pessoas idosas e com doenças preexistentes. O cuidado com a saúde deve ser uma prioridade, considerando a seriedade das consequências que o calor extremo pode acarretar.





