A rejeição do nome de Jorge Messias para o Supremo Tribunal Federal (STF) destacou-se como a maior reviravolta, marcando um momento histórico que não se via desde 1894, durante o governo de Floriano Peixoto. Embora Messias tivesse obtido a aprovação da Comissão de Constituição e Justiça do Senado por uma margem favorável, a votação no plenário revelou um panorama desfavorável: 42 senadores se opuseram à indicação, contra 34 a favor. Para ser confirmado, era necessário o apoio de, pelo menos, 41 senadores.
Essa derrotas acentuaram a crise entre o governo Lula e a presidência do Senado, comandada por Davi Alcolumbre. Informações revelam que, durante a sabatina, o senador teria contatado colegas para instruí-los a votar contra Messias. Alcolumbre, que sempre manifestou resistência à escolha de Lula, preferia que a nomeação recaísse sobre o senador Rodrigo Pacheco.
A situação surpreendeu o governo, que não esperava um revés tão contundente. As críticas a Guimarães e ao líder do governo no Senado, Jaques Wagner, começaram a emergir, e uma análise interna sugere que houve uma subestimação do risco de derrota, ignorando sinais claros de mobilização por parte de Alcolumbre.
Minutos antes da votação, Guimarães se reuniu com Lula, mostrando confiança em um resultado positivo. Essa expectativa contrastou com a realidade que se apresentou no Senado, gerando um clima de incerteza e frustração.
Posteriormente, em uma nova reviravolta, o Congresso derrubou um veto de Lula relacionado ao Projeto de Lei da Dosimetria, que busca alterar penas para condenados pelos eventos de 8 de janeiro. O resultado já era previsível, mas acentuou o descontentamento do governo. Embora o veto tenha sido derrubado, a maior parte das regras rígidas da Lei Antifacção se manteve, demonstrando a complexidade das relações entre os diferentes poderes.
Agora, com o cenário político tenso, Lula avalia os próximos passos, considerando novos nomes para a cadeira deixada por Luís Roberto Barroso no STF e a possibilidade de adotar estratégias mais assertivas frente ao Legislativo. Aliados do presidente defendem que uma mulher seja indicada, numa tentativa de reforçar a pressão sobre os senadores em um cenário já conturbado.
