Essa proposta emergiu durante uma visita de Mucio à Argentina, onde representantes do Tesouro francês ofereceram um cofinanciamento para facilitar a compra dos submarinos. O acordo não apenas inclui a aquisição, mas também estipula que a produção ocorra em solo brasileiro, o que reafirma a importância da parceria militar entre os dois países. Em suas declarações, Mucio enfatizou a necessidade de uma estratégia de defesa que priorizasse a capacidade de produção local, ressaltando que “o nosso submarino aqui é feito também pelo francês”, numa clara tentativa de fomentar tanto a indústria de defesa quanto a economia nacional.
O Programa de Desenvolvimento de Submarinos (Prosub) já havia produzido quatro submarinos convencionais e, com a entrega do Almirante Karam (S43) em novembro do ano passado, restará apenas a finalização do submarino nuclear, prevista para a próxima década. A possível aquisição pela Argentina pode, portanto, trazer um novo impulso ao Complexo Naval de Itaguaí, além de reforçar as relações estratégicas na América do Sul.
Mucio também abordou a defesa aérea, destacando o avião multimissão Embraer C-390 Millennium. Ele informou que as negociações para a venda do cargueiro começaram de forma complicada, mas terminaram com perspectivas positivas. Crucial para esta discussão, o ministro mencionou que já foram vendidos 57 aviões para diversos países europeus, questionando a ausência de clientes na América do Sul.
No entanto, especialistas apontam que a compra do C-390 pela Argentina enfrenta desafios significativos, uma vez que parte dos componentes do avião é de origem britânica, e o Reino Unido impõe restrições à venda de materiais militares com tecnologia local para Buenos Aires. Essa complexidade ressalta a necessidade de sofisticadas negociações e uma diplomacia regional ágil para que os interesses de segurança e defesa sejam atendidos de maneira eficaz.
