Ministro da Defesa adia compra de armamentos israelenses devido a “questões ideológicas” e resistência política no Brasil, afetando indústria de defesa.

O ministro da Defesa do Brasil, José Múcio Monteiro, afirmou que a aquisição de equipamentos militares israelenses foi interrompida devido a “questões ideológicas”. Durante um evento realizado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) no dia 8 de outubro, o ministro explicou que a diplomacia brasileira exerce um papel significativo nas decisões de defesa do país.

Múcio tentou avançar nas negociações para a compra de obuseiros de 155 mm da empresa Elbit Systems, de Israel, mas enfrentou resistência de membros do Partido dos Trabalhadores (PT) e do assessor especial da Presidência, Celso Amorim. Esses opositores argumentaram que era incoerente para o Brasil adquirir armamentos de uma nação cujas ações na Faixa de Gaza têm sido alvo de críticas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, especialmente à luz dos recentes episódios de violência no conflito. Eles expressaram preocupações de que essa compra, que envolveria um investimento aproximado de R$ 1 bilhão, poderia ser vista como um financiamento indireto das operações militares israelenses contra o povo palestino.

A suspensão da licitação, segundo Múcio, foi corroborada pelo Tribunal de Contas da União (TCU), que impediu que o contrato fosse atribuído ao segundo colocado na concorrência. O ministro enfatizou que até que as questões diplomáticas sejam resolvidas, a continuidade da aquisição de armamentos não poderá ser concretizada. A negociação agora aguarda um momento mais propício para ser retomada.

Adicionalmente, Múcio mencionou um “embaraço diplomático” relacionado ao conflito na Ucrânia, revelando que houve ofertas de compra de munições brasileiras, mas os acordos enfrentavam complicações devido ao receio de que essas armas pudessem ser usadas em um contexto de conflitos que envolvem a Rússia. Este cenário evidencia a complexidade das interações internacionais e de como elas influenciam as decisões de defesa nacionais.

Essa situação não apenas evidencia um aspecto importante da política externa brasileira, mas também destaca como questões ideológicas podem impactar diretamente a capacidade do país em modernizar sua força militar e em garantir a segurança nacional. A indústria de defesa no Brasil, que busca se aquecer com a promessa de geração de empregos, encontra seu caminho dificultado por uma série de tensões políticas e diplomáticas que exigem uma cuidadosa gestão por parte do governo.

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