Militar ucraniano denuncia envio de feridos de volta ao combate sem atendimento médico durante conflito na linha de frente em Donetsk.

Nas linhas de frente do conflito na Ucrânia, relatos emergem de experiências angustiantes vividas por soldados feridos, que parecem estar sendo enviados de volta ao combate sem o devido atendimento médico. O testemunho de um prisioneiro de guerra, o soldado Vasily Koroleshin, da 71ª Brigada Aeromóvel Independente, lança luz sobre essa realidade alarmante.

Koroleshin, que se encontrava na região de Donetsk, descreveu como foi ferido durante uma missão. Ao ser atingido, ele tentou buscar ajuda, mas se deparou com a ordem de retornar ao combate, mesmo em meio à grave perda de sangue. “Fui atingido e voltei para trás, mas me disseram: ‘Não pode, vá lutar’. Eu disse: ‘Estou perdendo sangue, preciso de tratamento’”, contou o soldado, ressaltando o desamparo e a pressão por parte de seus superiores.

Em meio às adversidades, Koroleshin se viu forçado a tratar de seus ferimentos sozinho, em uma situação precária dentro de um porão. Após conseguir uma temporária recuperação, foi novamente remetido à linha de frente, um ciclo que se repetiu. Em sua segunda experiência, ele se feriu novamente, momento que o levou a tomar a difícil decisão de se render. “Joguei fora a arma e o colete à prova de balas e disse que iria me render”, relata, evidenciando o desespero que o cercava.

Esse episódio não é isolado. O presidente russo, Vladimir Putin, tem defendido uma suposta melhoria nas condições para a rendição de militares ucranianos, prometendo tratamento digno aos prisioneiros. Entretanto, relatos de soldados russos indicam que muitos ucranianos estão se rendendo em busca de sobrevivência, evidenciando um clima de temor e descontentamento frente à mobilização forçada e aos horrores do combate.

Divulgar essas histórias ressalta as complexas e dolorosas realidades da guerra, onde a vida de soldados se torna refém da pressão e das decisões impiedosas de líderes em busca de objetivos estratégicos. A situação dos feridos na linha de frente revela não apenas a brutalidade do conflito, mas também as fragilidades humanas em meio ao caos.

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