Mais da Metade dos Clientes de Crédito no Brasil Usa Dinheiro Emprestado para Pagar Dívidas e Cobrir Emergências, Revela Pesquisa

Mais da metade dos consumidores que recorrem ao crédito no Brasil utiliza esses recursos para saldar dívidas com juros mais altos, realizar reformas em suas residências ou lidar com imprevistos, ao invés de despesas imediatas. Essa constatação emerge de um estudo realizado pela 60 Decibels, uma empresa global especializada na mensuração de impacto social. A pesquisa envolveu clientes da Creditas, uma fintech de crédito com garantia, que se destaca na América Latina.

De acordo com os dados coletados, 60% dos respondentes aplicam o crédito em fins não comerciais, enquanto os restantes 40% investem em abrir ou expandir negócios, com uma parcela desse grupo utilizando o dinheiro para atividades que potencialmente gerem renda. Tal levantamento também revela que muitos desses consumidores adquiriam acesso ao crédito apenas recentemente. Até uma década atrás, indivíduos sem contracheque ou com restrições em seus nomes enfrentavam enormes barreiras para conseguir empréstimos. Segundo especialistas, essa realidade se modificou ao longo dos últimos anos, permitindo que uma nova parcela da população finalmente pudesse acessar crédito.

Ricardo Campos, sócio-fundador da Reach Capital, especializada em crédito, ilustrou essa transição ao afirmar que, há 10 ou 15 anos, alguém sem um holerite ou com nome negativado não conseguiria um empréstimo, mesmo em situações emergenciais. Essa mudança na dinâmica permite um maior acesso ao crédito, mas não sem desafios, uma vez que as taxas cobradas por fintechs costumam ser superiores às dos grandes bancos. Esses últimos, que captam recursos a um custo menor, contrastam com as fintechs, que se financiariam por vias mais onerosas, como cotas de fundos.

A pesquisa também destaca a experiência inicial dos consumidores com crédito considerado mais justo. Cerca de 65% dos entrevistados relataram ter tido seu primeiro contato com uma modalidade de crédito mais saudável, avaliando que as opções anteriores eram menos favoráveis. No entanto, 59% dos participantes ressaltam a preocupação com a “carga de pagamento”, que indica o impacto das parcelas nos seus orçamentos familiares. Essa dificuldade é sentida de maneira desigual: 69% das mulheres mencionaram esse estresse financeiro, enquanto a proporção entre os homens caiu para 55%. Entre aqueles que utilizaram o carro como garantia, 21% encontraram dificuldades, mas esse número diminui significativamente para 6% entre os que utilizaram um imóvel.

Ana Lúcia Lima, líder de engenharia da Creditas, enfatiza a crescente importância de estudos desse tipo no setor financeiro. Para ela, essas pesquisas são cruciais para compreender melhor o comportamento dos clientes, permitindo que as decisões sejam mais informadas e menos fundamentadas em percepções superficiais. Os dados não apenas revelam como o crédito é utilizado, mas também as principais dificuldades enfrentadas pelos consumidores em meio a esse novo cenário financeiro.

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