A expectativa sobre a decisão dos EUA se intensifica, pois o anúncio deverá ocorrer até quarta-feira, 15 de julho, no âmbito de uma investigação iniciada com base na Seção 301 da Lei de Comércio norte-americana, que permite a imposição de tarifas em resposta a práticas consideradas injustas. Nos bastidores, o governo brasileiro está tentando agendar uma reunião de última hora entre representantes do Brasil e Jamieson Greer, chefe do Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR). Esse encontro faz parte de um esforço conjunto para encontrar uma solução negociada antes da decisão final ser divulgada.
Na semana anterior, Lula convocou seus ministros para discutir a estratégia do governo nas negociações. A orientação foi clara: manter o diálogo técnico sem abrir mão de pontos considerados sensíveis pelo Brasil. Entre os tópicos que não estão em discussão está a política tarifária do etanol, uma demanda dos Estados Unidos que não deve ser atendida no momento.
Durante audiências públicas em Washington, especialistas observaram que os argumentos técnicos dos EUA contra o Brasil, especialmente em relação ao sistema de pagamentos instantâneos conhecido como Pix, perderam força. O economista da Fundação Getulio Vargas (FGV) e participante das audiências, Gustavo Pessoa, destacou que o sistema do Pix é amplamente utilizado, beneficiando tanto empresas brasileiras quanto estrangeiras.
Embora os dados apresentados durante as discussões sejam positivos, Pessoa alerta que a decisão final sobre as tarifas será política. Ele acredita que, apesar do embasamento técnico robusto feito pelo Brasil, o resultado dependerá de decisões tomadas em níveis superiores, que, muitas vezes, não se baseiam apenas em argumentos técnicos, mas também em considerações políticas. Em síntese, o cenário continua incerto, e o Brasil se prepara para os desdobramentos que podem impactar sua economia e relações comerciais com os Estados Unidos.
