Luciana Novaes: Ex-vereadora do Rio, símbolo de superação, morre após protocolo de morte cerebral e deixa legado de inclusão e luta social.

Na noite de segunda-feira, a Câmara de Vereadores do Rio de Janeiro emitiu uma nota de pesar em decorrência do acionamento do protocolo de morte cerebral da ex-vereadora Luciana Novaes, que tinha apenas 42 anos. A triste confirmação foi noticiada pelo jornalista Ancelmo Gois.

Luciana Novaes ganhou notoriedade em 2003, após um incidente que mudaria para sempre sua vida: ela foi atingida por uma bala perdida enquanto estava no campus da Universidade Estácio de Sá, situada na zona Norte do Rio. O disparo resultou em tetraplegia, obrigando-a a utilizar ventilação mecânica, e os médicos, à época, previam apenas 1% de chance de sobrevivência. No entanto, mostrando resiliência admirável, Luciana superou essa difícil realidade. Ao longo dos anos, ela adaptou-se à sua nova condição, retomou os estudos e se formou em Serviço Social, assim como completou uma pós-graduação em Gestão Governamental.

Em 2016, Luciana foi eleita vereadora do Rio de Janeiro e rapidamente se destacou na função, sendo a parlamentar com mais leis aprovadas em seu primeiro mandato. Sua atuação incluiu mais de 150 fiscalizações, mostrando um compromisso exemplar com a fiscalização e o funcionamento da máquina pública. Durante a pandemia de 2020, mesmo enfrentando as limitações impostas pela sua condição de saúde e pelo fato de integrar o grupo de risco, ela obteve 16 mil votos, terminando sua campanha como primeira suplente. Em 2022, Luciana concorreu a deputada federal e conseguiu mais de 31 mil votos, tornando-se a segunda mulher mais votada do Partido dos Trabalhadores no estado. Recentemente, ela retornou à Câmara Municipal, assumindo a vaga de Tainá de Paula, embora tenha voltado à suplência com o retorno da titular.

A nota de pesar ressaltou que Luciana superou imensas adversidades e se tornou um “símbolo de perseverança e superação”. A Câmara Municipal reconheceu o legado deixado por ela, constituído por quase 200 leis que promovem a inclusão e a defesa de grupos vulneráveis, como pessoas com deficiência e idosos. Sua atuação foi marcada por uma “voz firme” e uma “escuta generosa”, impactando significativamente a vida de milhares de cariocas.

O presidente da Câmara, Carlo Caiado, expressou que a história de Luciana, repleta de fé, resiliência e um profundo propósito, continuará a inspirar futuras gerações, demonstrando que limites não definem destinos quando há uma genuína vontade de transformar realidades. Em meio a um momento de luto, sua memória será eternamente lembrada por todos aqueles que tiveram a oportunidade de conhecer sua trajetória.

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