A literatura policial brasileira se renova com a estreia do escritor Luiz Fernando Treviso, que acaba de lançar o livro Era uma vez em Parpoplanca, uma obra independente que entra para o catálogo das narrativas inovadoras no país. A publicação, feita por meio do Clube dos Autores, desafia os padrões tradicionais do gênero ao misturar elementos de suspense, terror psicológico e humor ácido, criando uma história que dialoga com questões sociais contemporâneas e referências cinematográficas.
Ambientada na fictícia cidade de Parpoplanca, a narrativa se desenrola em um cenário que remete a um tempo estagnado, onde figuras marginalizadas pelo sistema se tornam protagonistas. O enredo gira em torno do misterioso assassinato de um morador local e é desenvolvido pelo personagem Canduco, um detetive que se distancia do estereótipo clássico dos investigadores. Negro e com um black power imponente, Canduco é uma figura que não se encaixa no moldes tradicionais do gênero: ele se apresenta com um jeito descontraído, usando chinelos e se entregando a crises de riso nos momentos de maior tensão.
Treviso, que também é jornalista e roteirista, utiliza uma linguagem que reflete sua paixão pelo cinema, sobretudo o movimento blaxploitation dos anos 1970, que colocou atores negros como protagonistas de histórias de ação e crime. Além disso, sua escrita é influenciada por referências ao realismo grotesco de Nelson Rodrigues e ao surrealismo de Federico Fellini, bem como a obras do cinema trash das décadas de 70 e 80 e de diretores renomados como Alfred Hitchcock e David Cronenberg.
Com uma proposta de criar um mosaico narrativo que transita entre o drama e a comédia, Treviso visa provocar reflexões sobre preconceitos raciais e estruturais presentes na sociedade. Além disso, o autor já trabalha em dois novos títulos: Confissões de uma mente pervertida de um jovem cineasta, que explora a trajetória de um diretor esquecido na Boca do Lixo paulistana, e O Ano da Desordem, uma sátira distópica sobre um colapso institucional.
O lançamento de Era uma vez em Parpoplanca destaca o potencial das plataformas de autopublicação, permitindo que narrativas autênticas e ousadas cheguem a um público ávido por novas experiências literárias. A obra, com 320 páginas, representa não apenas uma contribuição à literatura policial, mas uma nova voz no cenário literário nacional, que promete desafiar e entreter os leitores.
