Durante seus anos de faculdade, Kamala Harris admitiu ter experimentado a maconha, uma declaração que ela fez de maneira descontraída em uma entrevista de rádio. “Eu inalei,” afirmou, ironizando uma expressão utilizada por Bill Clinton durante sua campanha presidencial em 1992, em que ele negou ter inalado a substância. Este comentário, no entanto, contrasta significativamente com sua posição anterior, quando atuava como promotora distrital e senadora. Na época, Harris apoiava a legalização da maconha apenas para uso medicinal, resistindo à ideia de permitir o uso recreativo da substância.
Enquanto principal autoridade policial da Califórnia, Kamala Harris argumentou que a liberação da maconha para fins recreativos poderia desestabilizar o mercado medicinal, que era pouco regulamentado. Ela manteve essa postura durante suas campanhas e ao longo de seus mandatos.
Contudo, a perspectiva de Kamala Harris evoluiu significativamente quando ela lançou sua candidatura à presidência em 2019. Desde então, a vice-presidente defende abertamente a legalização abrangente da maconha nos Estados Unidos. Durante sua atual campanha, Harris tem criticado severamente a classificação federal da maconha, considerando “absurdo” o fato da substância ser classificada como mais perigosa que o fentanil. Ela argumenta que essa categorização é “patentemente injusta.”
Hoje, a maioria dos estados americanos já legalizou o porte de maconha, principalmente aqueles com um eleitorado mais jovem, grupo que compõe uma parte significativa do público-alvo da campanha de Harris e seu candidato a vice, Walz. Kamala Harris se destaca como a primeira candidata presidencial de um dos principais partidos – Republicano e Democrata – a defender explicitamente a total legalização da maconha, marcando uma mudança notável em sua trajetória política.
A virada de postura de Kamala Harris em relação à maconha não apenas reflete uma evolução pessoal, mas também uma sintonia com as demandas de uma nova geração de eleitores e uma mudança nacional nas políticas de drogas. Este posicionamento poderá ter um impacto significativo nas discussões e nas políticas públicas relacionadas ao uso recreativo e medicinal da maconha em todo o país. A campanha continua a enfatizar a necessidade de uma revisão das políticas federais sobre drogas, ressaltando a injustiça na classificação atual da cannabis e abrindo caminho para possíveis reformas substanciais no futuro.