JUSTIÇA – Viúva de Vladimir Herzog, assassinado na ditadura militar, recebe decisão judicial de pagamento mensal de reparação econômica.

O juiz federal Anderson Santos da Silva, da 2ª Vara Federal Cível de Brasília, emitiu uma decisão liminar que determina o pagamento mensal de R$ 34.577,89 a Clarice Herzog, viúva do jornalista Vladimir Herzog. Este pagamento seria uma reparação econômica caso Herzog seja reconhecido como anistiado político, embora esse reconhecimento ainda não tenha ocorrido. Tal decisão foi tomada devido à perseguição sofrida pelo jornalista, conforme processos conduzidos pelas Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos e Comissão Nacional da Verdade.

O assassinato de Herzog por agentes da ditadura militar, inicialmente simulado como suicídio, foi reconhecido pela Corte Interamericana de Direitos Humanos em 2018. A viúva do jornalista, que já possui 83 anos e sofre de Alzheimer em estágio avançado, foi o principal motivo para a urgência da decisão do juiz. A União ainda tem a oportunidade de contestar a determinação.

A defesa de Clarice também solicitou o pagamento retroativo de mais de R$ 2 milhões dos últimos cinco anos, porém essa questão ainda não foi analisada pelo juiz. Ele ressaltou que o valor da pensão mensal pode ser reavaliado após a instrução regular do processo.

Em comunicado, o Instituto Vladimir Herzog e a família do jornalista comemoraram a liminar como um marco de 50 anos do crime e da busca incessante de Clarice por justiça para Vlado. O caso continua em trâmite no Tribunal Regional Federal da 1ª Região, sem previsão para o julgamento de mérito.

Vladimir Herzog foi assassinado em uma cela do antigo Destacamento de Operações de Informações – Centro de Operações de Defesa Interna (Doi-Codi) durante o regime militar, com o atestado de óbito inicialmente falsificado como suicídio. Herzog, que nasceu na Croácia e se naturalizou brasileiro, era um renomado jornalista e professor de telejornalismo.

Sua morte em 1975 gerou uma comoção nacional e, após anos de luta da família e de grupos de direitos humanos, a justiça brasileira condenou a União pelo crime. O legado de Vladimir Herzog permanece vivo na luta por justiça e memória histórica.

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