O assassinato de Herzog por agentes da ditadura militar, inicialmente simulado como suicídio, foi reconhecido pela Corte Interamericana de Direitos Humanos em 2018. A viúva do jornalista, que já possui 83 anos e sofre de Alzheimer em estágio avançado, foi o principal motivo para a urgência da decisão do juiz. A União ainda tem a oportunidade de contestar a determinação.
A defesa de Clarice também solicitou o pagamento retroativo de mais de R$ 2 milhões dos últimos cinco anos, porém essa questão ainda não foi analisada pelo juiz. Ele ressaltou que o valor da pensão mensal pode ser reavaliado após a instrução regular do processo.
Em comunicado, o Instituto Vladimir Herzog e a família do jornalista comemoraram a liminar como um marco de 50 anos do crime e da busca incessante de Clarice por justiça para Vlado. O caso continua em trâmite no Tribunal Regional Federal da 1ª Região, sem previsão para o julgamento de mérito.
Vladimir Herzog foi assassinado em uma cela do antigo Destacamento de Operações de Informações – Centro de Operações de Defesa Interna (Doi-Codi) durante o regime militar, com o atestado de óbito inicialmente falsificado como suicídio. Herzog, que nasceu na Croácia e se naturalizou brasileiro, era um renomado jornalista e professor de telejornalismo.
Sua morte em 1975 gerou uma comoção nacional e, após anos de luta da família e de grupos de direitos humanos, a justiça brasileira condenou a União pelo crime. O legado de Vladimir Herzog permanece vivo na luta por justiça e memória histórica.