JUSTIÇA – Viúva de motorista assassinado denuncia dificuldades financeiras em depoimento sobre crime que envolveu empresário delator e policiais no Fórum de Guarulhos.

A viúva do motorista de aplicativo Celso Araujo Sampaio de Novais, assassinado em um ataque que também vitimou o empresário e delator Vinicius Gritzbach, prestou depoimento na última segunda-feira (22) no Fórum Criminal de Guarulhos, na Grande São Paulo. Ela foi ouvida como testemunha de acusação durante o julgamento e compartilhou os desafios que enfrenta desde a morte do esposo, incluindo questões financeiras.

Durante seu relato, a viúva expressou a dor da perda e as dificuldades financeiras que vem enfrentando. “Ele me ajudava a pagar o aluguel. Antes eu não tinha essa preocupação, mas, hoje, tenho dificuldades para pagar o aluguel e até os óculos do meu filho”, declarou, enquanto seu nome foi mantido em sigilo por razões legais.

O trágico incidente ocorreu no dia 8 de novembro de 2024, quando Celso passou pelo Aeroporto Internacional de Guarulhos, exatamente no momento em que homens encapuzados abriram fogo contra Gritzbach, resultando em sua morte. O motorista de aplicativo foi atingido por balas que atingiram seu rim e fígado, levando à sua morte um dia após o ataque.

Testemunhas de acusação, incluindo a mãe de Celso, Aparecida Camilo, de 65 anos, estavam presentes no julgamento e não conseguiram conter as lágrimas ao ouvirem relatos da dor da viúva. Emocionada, a viúva mencionou que seu filho pergunta constantemente: “Por que tiraram o meu pai de mim?”.

Três policiais militares são os réus do caso e estão sendo julgados por suas ações que resultaram nos dois assassinatos. O tenente Fernando Genauro da Silva, o cabo Denis Antônio Martins e o soldado Ruan Silva Rodrigues permanecem detidos no Presídio Militar Romão Gomes. O Ministério Público acusa esses homens de utilizarem fuzis no ataque a Gritzbach, com Genauro sendo acusado de facilitar a fuga após os crimes.

O julgamento, que deve se estender por cinco dias, requer uma cuidadosa análise dos depoimentos. As primeiras testemunhas a serem ouvidas foram vítimas do ataque, uma delas um funcionário do aeroporto que ficou ferido na mão e outra uma mulher atingida por estilhaços na barriga. Ambas confirmaram que não conheciam os envolvidos e foram surpreendidas pelos disparos, ressaltando a natureza aleatória e violenta da situação.

Gritzbach, por sua vez, era uma figura controversa, acusado de homicídio e levantando suspeitas de envolvimento em crimes relacionados ao PCC (Primeiro Comando da Capital). Sua morte veio após assinar uma delação premiada ao Ministério Público, em que denunciou diversos indivíduos ligados ao crime e à corrupção policial.

No decorrer do processo, a acusação, representada pelos promotores Vania Caceres Stefanoni e Rodrigo Merli Antunes, convocou um total de dez testemunhas. Enquanto isso, os advogados de defesa tentam contradizer as acusações e afirmam que seus clientes são inocentes, denunciando manipulações nas investigações. Após a oitiva das testemunhas de acusação e defesa, os jurados decidirão sobre a culpabilidade ou não dos policiais, encerrando assim um episódio trágico que lança sombra sobre a segurança pública no Brasil.

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