JUSTIÇA – STF torna deputado Gustavo Gayer réu por injúria contra Lula após uso de imagem manipulada com simbolismo nazista e ligação ao Hamas.

Na última terça-feira, 28 de setembro, a Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu, por unanimidade, tornar o deputado federal Gustavo Gayer, do PL de Goiás, réu por injúria contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A decisão foi resultado da aceitação da denúncia assinada pela Procuradoria-Geral da República (PGR), que apontou a postagem, por parte do parlamentar, de uma imagem manipulada que associava Lula ao grupo terrorista Hamas e ao regime nazista.

A imagem polêmica, criada através de inteligência artificial, mostrava o presidente vestido com roupas militares e uma braçadeira ostentando o símbolo da suástica. A manipulação visual provocou indignação, levando a Advocacia-Geral da União (AGU) a solicitar a remoção imediata do conteúdo. Diante da gravidade da situação, o Ministério da Justiça também foi acionado, resultando na abertura de um inquérito pela Polícia Federal (PF) que investigou o caso.

Durante a sessão do STF, o relator da questão, ministro Flávio Dino, apresentou seu voto destacando que o uso de inteligência artificial para a criação e disseminação da montagem não está protegido pela imunidade parlamentar, um princípio que normalmente garante aos legisladores liberdade para suas manifestações. Dino enfatizou a relevância do tema, ressaltando que vivemos em tempos em que as manipulações de imagem e voz são especialmente perigosas.

Além de Dino, os ministros Alexandre de Moraes, Cristiano Zanin e Cármen Lúcia sustentaram o entendimento de que ações desse tipo não podem ser toleradas, dada sua potencialidade de desinformação e danos à imagem de figuras públicas.

A defesa de Gayer, que não compareceu à sessão e tampouco indicou um advogado, tentou, durante a tramitação do inquérito, a suspensão do processo, mas essa proposta foi desconsiderada pelo colegiado. Com essa decisão, a Primeira Turma do STF sinaliza um posicionamento firme contra a disseminação de fake news e discursos que possam ultrapassar os limites do respeito e da responsabilidade na esfera pública. A situação levanta um debate necessário sobre a ética na política e as implicações do uso indevido da tecnologia para desinformação.

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