JUSTIÇA – STF determina soltura do ex-prefeito de Belford Roxo, Márcio Canella, após prisão em operação da Polícia Federal por posse de fuzil e lavagem de dinheiro.

O ex-prefeito de Belford Roxo, Márcio Canella, teve sua prisão determinada pela Polícia Federal (PF) cancelada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). Canella estava detido desde a última terça-feira, após ser flagrado com um fuzil calibre 556 durante uma ação da PF, parte da sexta fase da Operação Unha e Carne, que busca desmantelar um esquema de lavagem de dinheiro envolvendo postos de combustíveis no Rio de Janeiro.

A decisão de soltura de Canella, divulgada na noite de sexta-feira, estipulou que o político será submetido a medidas cautelares, incluindo o uso de tornozeleira eletrônica, a entrega do passaporte e a suspensão do porte de arma. O ex-prefeito responderá ao processo em liberdade, mas deverá comparecer regularmente às autoridades.

O magistrado ressaltou que a alegação de Canella, de que o fuzil pertencia ao policial que cuidava de sua segurança, ainda precisa ser detalhadamente investigada. A defesa do ex-prefeito afirmou que a prisão não se sustentava, enfatizando que a arma estava registrada em nome do segurança e que os documentos foram apresentados ao STF.

A Operação Unha e Carne, em sua última fase, tem como alvo uma organização criminosa que, segundo a PF, movimentou cerca de R$ 7,6 bilhões nos últimos seis anos. Este esquema foi detectado a partir de um relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), que apontou movimentações financeiras incomuns. Durante as investigações, a PF cumpriu 19 mandados de busca e apreensão, confiscando não apenas armas e dinheiro em espécie, mas também veículos de luxo e joias. Além disso, a operação resultou no bloqueio de bens e na suspensão de atividades de empresas ligadas aos indivíduos investigados.

Canella é suspeito de ser uma das figuras políticas relacionadas ao esquema de lavagem de dinheiro. As investigações poderão levar a acusações de organização criminosa, lavagem de dinheiro e outras infrações que surgirem durante os inquéritos. É importante destacar que essa operação é uma continuidade das ações determinadas pelo STF na Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) 635, que confere à Polícia Federal a responsabilidade de investigar possíveis ligações entre agentes públicos e organizações criminosas.

A trajetória política de Canella inclui três mandatos como deputado estadual e um breve período como vice-prefeito de sua cidade natal. Ele foi eleito prefeito em 2024, mas renunciou ao cargo em abril deste ano para tentar uma vaga no Senado no Rio de Janeiro. Essa reviravolta em sua vida política agora poderá impactar sua carreira, dependendo do desenrolar das investigações e do processo em que está envolvido.

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