JUSTIÇA – STF autoriza pagamento retroativo de penduricalhos a juízes e promotores, respeitando limite estabelecido em julgamento anterior e ampliando salários.

Na sessão desta terça-feira, 30 de outubro, o Supremo Tribunal Federal (STF) tomou uma decisão significativa ao aprovar a retomada dos pagamentos retroativos de penduricalhos a juízes, procuradores e promotores do Ministério Público. O julgamento, realizado em formato virtual, reconsiderou uma deliberação anterior, datada de 25 de março, que havia imposto restrições ao pagamento desses benefícios.

Conforme estabelecido na decisão anterior, os repasses de penduricalhos foram limitados a 35% do salário dos membros da Corte, e a realização de pagamentos retroativos foi vetada. Contudo, sob o novo entendimento, esses pagamentos podem ser reintegrados, respeitando o limite de 35%, o que representa uma mudança importante na política de compensação aos servidores do Judiciário.

Os ministros Flávio Dino, Alexandre de Moraes, Gilmar Mendes, Cristiano Zanin, Edson Fachin e Cármen Lúcia manifestaram seu voto a favor da liberação dos retroativos. Um aspecto crucial dessa nova determinação é que o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) terá 30 dias para apresentar ao STF uma lista detalhada das verbas e gratificações que eram pagas anteriormente, possibilitando que a aplicação desse julgamento seja tangível.

Em contraposição, os ministros Luiz Fux, André Mendonça, Dias Toffoli e Nunes Marques apresentaram um voto divergente, advogando pela liberação total dos pagamentos retroativos, sem a restrição imposta anteriormente, o que gerou um debate significativo entre os membros da Corte.

Os chamados “penduricalhos” referem-se a benefícios adicionais concedidos a servidores públicos, que, quando somados ao salário base, não se sujeitam ao teto remuneratório constitucional, estabelecido em R$ 46,3 mil. Com a aprovação da nova medida, juízes, procuradores e promotores poderão alcançar um salário total que ultrapassa os R$ 62,5 mil mensais, incluindo os R$ 16,2 mil correspondentes aos penduricalhos.

Essa decisão tem implicações diretas na estrutura de compensação dos servidores do Judiciário e do Ministério Público, refletindo uma continua tensão na discussão sobre a remuneração no setor público e os princípios que regem o controle de gastos públicos. Enquanto alguns celebram a vitória em prol da reintrodução dos pagamentos, outros alertam para os efeitos que isso pode ter na gestão fiscal e nas finanças públicas.

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