Ricardo Morishita, o secretário Nacional do Consumidor, afirmou que as investigações revelaram falhas significativas na transparência do site. Segundo ele, os dados coletados indicam que a Viagogo não oferece informações adequadas quanto ao seu status como revendedor, o que pode induzir os usuários a acreditar que estão adquirindo ingressos diretamente de produtores de eventos ou bilheteiras oficiais. Essa confusão pode resultar em valores superiores aos praticados inicialmente, uma situação que tem gerado preocupações entre os consumidores.
Além disso, outros problemas foram identificados, como a falta de clareza na identificação dos vendedores e a rastreabilidade das transações. O secretário nacional de Direitos Digitais, Victor Fernandes, destacou que muitos consumidores podem estar, inadvertidamente, comprando ingressos por preços inflacionados devido à falta de transparência.
A medida de abertura do processo administrativo concede à Viagogo um prazo de 20 dias para apresentar sua defesa. A reportagem também buscou contato com a assessoria da empresa, permanecendo aberta à inclusão de seu posicionamento na matéria em questão.
Outro ponto crítico levantado por Fernandes foi o uso de robôs que esgotam ingressos nos sites oficiais. Esses sistemas, descritos como cambistas digitais, compram em grande volume os ingressos disponíveis, que logo são considerados revendas a preços elevados. Enquanto isso, Morishita mencionou que os sites de venda primária estão sendo monitorados quanto a taxas abusivas e à qualidade do atendimento ao cliente, embora ainda não tenham sido tomadas medidas específicas contra eles.
As ações da Senacon refletem um esforço contínuo para garantir a proteção dos consumidores em um ambiente digital cada vez mais complexo e, muitas vezes, confuso.





