JUSTIÇA – Operação Hawala Desarticula Esquema de Lavagem de Dinheiro de Facções Criminosas no Rio, SP e Além; Oito Suspeitos Já Presos

Nesta quinta-feira, as forças de segurança do Rio de Janeiro e do Ministério Público do Estado (MPRJ) lançaram uma operação significativa visando desmantelar um esquema abrangente de lavagem de dinheiro gerido por facções criminosas que atuam no cenário do tráfico de drogas em estados como Rio de Janeiro e São Paulo. A operação, denominada Hawala, se tornou um marco no combate ao crime organizado, já que o esquema investigado movimentou mais de R$ 100 milhões entre 2021 e 2024, oriundos da venda de entorpecentes controlada por grupos como o Terceiro Comando Puro (TCP), Comando Vermelho (CV) e Primeiro Comando da Capital (PCC).

Os investigadores estão cumprindo uma série de mandados de prisão e busca e apreensão nas instituições de segurança pública de locais estratégicos, incluindo o Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais e Foz do Iguaçu, no Paraná. Até o início da manhã do dia 15, a ação havia resultado na prisão de oito indivíduos, de um total de dez ordens judiciais emitidas.

A investigação teve início após a identificação de um esquema de lavagem de dinheiro ligado ao TCP, que atua nas comunidades da região central do Rio. Contudo, a apuração se aprofundou e revelou a interconexão com grupos ligados ao CV e PCC. O método operante consistia na utilização de empresas de fachada espalhadas por diversos estados, que serviam para dar uma falsa aparência de licitude aos recursos oriundos do tráfico, receptação e comércio de produtos falsificados.

As autoridades estão debruçadas sobre uma vasta quantidade de transações financeiras que revelam movimentações incomuns e exageradas em relação às capacidades financeiras dos envolvidos. Manobras como a abertura de empresas recém-formadas, depósitos fracionados e a cooptação de contadores foram utilizadas para ocultar a origem do dinheiro ilícito.

Além do âmbito local, a investigação também indicou possíveis conexões internacionais. Os policiais civis estão analisando se o esquema poderia estar vinculado ao financiamento de organizações terroristas. Um dos investigados teria laços comerciais com indivíduos sancionados pelos Estados Unidos por supostamente integrarem redes de financiamento da Al-Qaeda. As investigações, portanto, não só buscam trazer à tona as operações de facções criminosas no Brasil, mas também se alargam para o horizonte do terrorismo internacional, prometendo um aprofundamento nas apurações relacionadas a essa complexa trama.

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