JUSTIÇA – O TSE está revisando regulamento para combater a fraude nas cotas de gênero. Medida visa garantir igualdade e representatividade política.

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) anunciou nesta quinta-feira (17) que vai editar uma norma para combater a fraude à cota de gênero nas eleições de 2024. A medida vem após o tribunal julgar mais dois casos sobre a questão. O presidente do TSE, Alexandre de Moraes, informou durante a sessão que o órgão pretende aprovar nas próximas semanas uma súmula para padronizar os julgamentos relacionados às eleições do próximo ano. A intenção é estabelecer uma jurisprudência sobre o assunto e auxiliar a Justiça Eleitoral no combate às fraudes.

De acordo com a legislação eleitoral, partidos e coligações devem destinar ao menos 30% das vagas para candidaturas de mulheres. Caso essa cota não seja cumprida, os candidatos envolvidos podem ser cassados, conforme entendimento do TSE. As fraudes costumam ocorrer através de candidaturas fictícias de mulheres, que têm seus nomes registrados para concorrer às eleições, mas não realizam campanha efetiva e não recebem recursos do fundo eleitoral para a campanha. Geralmente, essa fraude é descoberta após denúncias de adversários políticos e pela comprovação de uma baixa votação durante o pleito. Em alguns casos, as candidatas não recebem nenhum voto e ainda fazem campanha para outros candidatos.

No estado de São Paulo, apenas no mês de maio deste ano, o Tribunal Regional Eleitoral (TRE-SP) cassou 209 vereadores de cidades paulistas eleitos em 2020 por fraude à cota de gênero. Ainda não há um levantamento nacional sobre a quantidade de cassações efetivadas. Em entrevista ao programa “Repórter Brasil”, da TV Brasil, a ministra do TSE, Edilene Lobo, afirmou que o tribunal não vai tolerar candidaturas fictícias.

A medida anunciada pelo TSE visa combater essa prática e garantir que as cotas de gênero sejam respeitadas nas eleições futuras. A criação de uma súmula com jurisprudência sobre o assunto contribuirá para auxiliar a Justiça Eleitoral na análise dos casos e na aplicação de penalidades aos envolvidos. A expectativa é que, com a norma, seja possível coibir a fraude e garantir uma maior representatividade feminina nos cargos políticos.

Ainda cabe aguardar os próximos passos do TSE e a publicação das normas que irão regulamentar a questão. O combate à fraude à cota de gênero é fundamental para a garantia da igualdade de oportunidades na política e para promover uma maior participação das mulheres nos espaços de poder. A sociedade aguarda por medidas efetivas e pela punição dos responsáveis por essas ações ilegais, a fim de fortalecer a democracia e garantir a representatividade de todos os grupos.

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