A decisão de Moraes se fundamenta na necessidade de esclarecer se Bolsonaro deu autorização para a produção e exibição desse vídeo, que simulava um pronunciamento em apoio à candidatura de seu filho, Flávio Bolsonaro, à Presidência da República. O ministro destacou a importância dessa resposta para verificar se houve um descumprimento das condições impostas a Bolsonaro durante sua prisão domiciliar humanitária. Caso se confirme a falta de autorização, há a possibilidade de revogação desse benefício.
Além das implicações pessoais para o ex-presidente, a situação levanta a questão da legalidade das ações de Flávio Bolsonaro e do próprio Partido Liberal. Se Jair Bolsonaro não consentiu com a utilização de sua imagem e voz, isso poderia configurar uma grave violação da legislação eleitoral, o que poderia levar à inelegibilidade de Flávio e potenciais sanções ao PL.
Moraes enfatizou que a utilização não autorizada da imagem e voz de Jair Bolsonaro poderia caracterizar uma prática ilegal conhecida como “deep fake”, que é explicitamente proibida pelas normas eleitorais. Essa prática envolve a criação ou disseminação de conteúdos sintéticos que associam a imagem, a voz ou as declarações de uma pessoa a uma candidatura ou manifestação política, sem a devida autorização.
Adicionalmente, o ministro lembrou que Jair Bolsonaro está em regime de prisão domiciliar humanitária, com os direitos políticos suspensos em razão de uma condenação criminal por tentativa de golpe de Estado e que, por essa condição, ele não pode realizar manifestações político-eleitorais, nem mesmo através de representantes. A situação ressalta as tensões entre legislação eleitoral, liberdade de expressão e as limitações impostas a ex-chefes de Estado em circunstâncias jurídicas complexas.
