JUSTIÇA – O STF deve estabelecer o prazo para a implementação do juiz das garantias durante esta semana.

O Supremo Tribunal Federal (STF) está próximo de finalizar o julgamento sobre a constitucionalidade do juiz das garantias, um mecanismo que visa separar a responsabilidade do magistrado que decide sobre a sentença do que analisa as medidas cautelares em um processo criminal. A decisão também irá definir um prazo para a implantação obrigatória do juiz das garantias em todo o Judiciário brasileiro.

Após nove sessões de julgamento, a Corte formou um placar de 6 votos a 1 a favor da validade do mecanismo. O julgamento será retomado na próxima quarta-feira (23) para definir o prazo para implantação. Os ministros estão considerando a possibilidade de estabelecer um prazo entre dois e três anos.

A Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB) declarou que irá cumprir a decisão tomada pelo STF, mas ressaltou a importância de um prazo razoável para a implementação do juiz das garantias. A associação apresentou uma ação contra a implementação do mecanismo, alegando inviabilidade financeira e consequências negativas para a prestação jurisdicional.

O juiz das garantias estava previsto para entrar em vigor em janeiro de 2020, de acordo com o Pacote Anticrime aprovado pelo Congresso Nacional. No entanto, uma liminar emitida pelo ministro Luiz Fux suspendeu a implantação. Agora, o STF irá decidir de forma definitiva sobre o assunto.

A discussão sobre o juiz das garantias chegou ao Supremo por meio de quatro ações protocoladas pela AMB, a Associação dos Membros do Ministério Público, o Podemos e a União Brasil. Enquanto o mecanismo é defendido pela Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e pelas defensorias públicas, que acreditam que o juiz das garantias contribui para a imparcialidade do magistrado, os tribunais de Justiça do país apontaram dificuldades na implementação do mecanismo.

Após a decisão do STF, o sistema de Justiça contará com o juiz das garantias e o juiz da instrução e julgamento. O juiz das garantias será responsável pelo controle da legalidade da investigação criminal, decidindo sobre prisões cautelares, quebras de sigilo e outras medidas. O juiz da instrução e julgamento prosseguirá com o processo a partir do recebimento da denúncia, ouvindo testemunhas e decidindo pela absolvição ou condenação do acusado.

Embora o modelo de juiz das garantias seja adotado por países europeus e da América do Sul, como Itália, Portugal, Paraguai, Chile, Argentina e Colômbia, sua implementação no Brasil enfrenta desafios e resistência por parte dos tribunais de Justiça. A decisão do STF irá definir o caminho a ser seguido pelo Judiciário brasileiro nos próximos anos.

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