JUSTIÇA – [Ministro do STF suspende decisão da CPMI que impediu fotógrafo de cobrir os trabalhos do colegiado

O ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal (STF), decidiu nesta quarta-feira (6) suspender a decisão da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) dos Atos Golpistas, que proibiu o fotógrafo Lula Marques, da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), de cobrir os trabalhos do colegiado.

Atendendo a um pedido de liminar feito pela defesa do profissional, Fux afirmou que a decisão da CPMI foi desproporcional. Segundo o ministro, há indícios de que os atos coatores são desproporcionais à conduta de Marques, que deve ter seu direito pleno de exercer a profissão e suas liberdades comunicativas assegurados, desde que responda por eventuais delitos cometidos, de acordo com a lei.

O motivo que levou ao descredenciamento de Marques ocorreu no mês passado, quando o fotógrafo registrou fotografias das conversas do senador Jorge Seif (PL-SC) com uma jornalista durante uma operação da Polícia Federal contra Jair Renan, filho do ex-presidente Jair Bolsonaro. A alegação para o descredenciamento foi o possível desrespeito à Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD).

É importante ressaltar que a fotografia foi tirada durante uma reunião pública da comissão, que é transmitida online e pelos canais de televisão, e acompanhada por outros profissionais da imprensa, parlamentares e seus assessores.

Após a publicação da foto, Arthur Maia, presidente da CPMI, determinou o descredenciamento de Marques alegando invasão de privacidade dos parlamentares. Mesmo com apelos pela revogação da decisão feitos pelo presidente da EBC, Helio Doyle, e pela Associação Brasileira de Imprensa (ABI), Maia manteve a proibição esta semana.

Com a suspensão da decisão da CPMI pelo ministro Luiz Fux, Lula Marques fica autorizado a retomar sua cobertura dos trabalhos do colegiado. A decisão de Fux destaca a importância de garantir a liberdade de imprensa e o exercício da profissão de jornalista, desde que no âmbito das responsabilidades legais.

É fundamental que situações como essa sejam analisadas cuidadosamente para evitar possíveis violações dos direitos dos profissionais da imprensa e garantir a transparência dos trabalhos dos órgãos públicos. A proteção da liberdade de expressão e do direito à informação são pilares essenciais de um Estado Democrático de Direito.

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