JUSTIÇA – “Ministro alerta: operações da PF revelam apenas a ‘ponta do iceberg’ no combate ao crime organizado no setor de combustíveis”

O ministro da Justiça e Segurança Pública, Ricardo Lewandowski, fez um alerta significativo em relação às recentes operações realizadas pela Polícia Federal e pelo Ministério Público de São Paulo, indicando que essas ações representam apenas a “ponta de um iceberg”. Durante uma entrevista ao programa “Voz do Brasil”, do governo, Lewandowski enfatizou a necessidade de aprofundar as investigações, visando desvelar todos os níveis hierárquicos das organizações criminosas envolvidas.

O ministro explicou que as investigações revelaram conexões entre o crime organizado e setores financeiros, bem como empresas atuantes no mercado de combustíveis. As práticas denunciadas incluem a lavagem de dinheiro oriundo de atividades ilícitas, utilizando fintechs e administradores de fundos financeiros como instrumentos para disfarçar suas ações. Lewandowski declarou que essas revelações expõem as modalidades de migração do crime organizado da ilegalidade para a legalidade, complicando ainda mais o cenário de combate ao crime.

Assinalando a gravidade da situação, Lewandowski argumentou que as abordagens tradicionais de combate à criminalidade, sobretudo as relacionadas à repressão policial, mostraram-se insuficientes diante da complexidade do fenômeno. Para isso, o ministério instituiu um núcleo especializado no início do ano, com o objetivo de adotar uma abordagem abrangente no enfrentamento do crime organizado em diferentes setores.

Além disso, o foco da investigação se ampliou para incluir a lavagem de dinheiro, reconhecendo a importante participação da Receita Federal nesse processo. Os resultados das operações indicaram um esforço significativo de planejamento, resultando em quase 400 mandados judiciais cumpridos e a descoberta de R$ 140 bilhões em movimentações ilícitas. Mais de R$ 3,2 bilhões em bens e valores foram bloqueados ou sequestrados, e 14 pessoas foram presas em decorrência das ações, que revelaram a dimensão do esquema criminoso.

As operações, denominadas Quasar, Tanque e Carbono Oculto, também desvelaram práticas de adulteração de combustíveis e uma rede de importação de metanol desviado de refinarias. Lewandowski destacou que mais de mil postos de gasolina estariam envolvidos nesse esquema, caracterizando uma rede complexa de lavagem de dinheiro e fornecimento de produtos adulterados. Ele ressaltou que a prioridade agora é sufocar financeiramente o crime organizado, afirmando que novas operações baseadas nos documentos apreendidos já estão sendo planejadas para dar continuidade a essa luta.

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