O caso teve início quando a Polícia Civil investigou a morte do cachorro comunitário, que, segundo relatos, teria sido agredido na praia onde vivia. Essa denúncia levou as autoridades a solicitar a internação de um dos jovens supostamente envolvidos na agressão. No entanto, a reconstituição dos fatos, realizada pelo Ministério Público, revelou inconsistências na narrativa apresentada anteriormente, como a ausência de Orelha no local durante o tempo alegado para o ataque.
Detalhes cruciais foram revelados. Imagens de câmeras de segurança mostraram que havia uma diferença temporal de cerca de 30 minutos entre os registros de diferentes dispositivos, o que comprometeu a afirmação de que o adolescente e Orelha estiveram juntos na praia. Além disso, testemunhas corroboraram que o cão não foi visto na orla naquele período.
Notas da investigação também apontaram que enquanto o jovem estava na praia, Orelha se encontrava a aproximadamente 600 metros de distância. A análise minuciosa das gravações indicou que o cão ainda apresentava mobilidade normal cerca de uma hora após o horário supostamente do ataque, refutando a noção de que ele estava debilitado por agressões.
O laudo do médico veterinário, bem como a exumação do animal, foi determinante para afastar as suspeitas de maus-tratos. Os exames revelaram infecções crônicas e lesões antigas, sem qualquer indício de agressão física. Com isso, o Ministério Público pediu o arquivamento do caso e também da investigação sobre possíveis coações a testemunhas.
Adicionalmente, a instituição solicitou à Corregedoria da Polícia Civil a análise de possíveis irregularidades na investigação e a apuração de vazamentos de informações sigilosas à imprensa. O ocorrido reflete os desafios enfrentados na busca pela verdade em casos de supostos maus-tratos a animais, além da importância da atuação independente das instituições envolvidas.





