JUSTIÇA –

Juristas pedem ao STF proteção contra sanções dos EUA e responsabilização de Eduardo Bolsonaro por interferências na legislação brasileira

A Associação Brasileira de Juristas pela Democracia (ABJD) apresentou uma Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) ao Supremo Tribunal Federal (STF), visando contestar as omissões do Estado brasileiro em relação às sanções econômicas recentes impostas pelos Estados Unidos. O foco da ação também recai sobre o deputado federal Eduardo Bolsonaro, acusado de atuar em favor dessas medidas restritivas contra o país e suas autoridades.

O documento foi protocolado em 30 de agosto e destaca a necessidade de uma resistência jurídica organizada diante de uma escalada de ataques ao ordenamento constitucional brasileiro. Esses ataques, conforme argumentam os juristas, vêm tanto de agentes estatais, como o governo dos EUA, quanto de empresas de tecnologia que operam internacionalmente. Para os autores da ação, as medidas americanas visam deslegitimar a legislação brasileira sob a justificativa de sanções e pressões, com a colaboração ativa de autoridades nacionais.

A ação apresenta alguns pedidos ao STF, incluindo a reafirmação da plena soberania do Brasil em aspectos normativos e regulatórios, a exigência de que as grandes empresas de tecnologia cumpram as leis brasileiras, e a anulação das sanções estrangeiras que interfiram na legislação nacional. Além disso, solicita a responsabilização de Eduardo Bolsonaro pelos danos causados ao Brasil.

A ABJD aponta que já existem indícios materiais que sugerem que Eduardo Bolsonaro participou de ações que obstruem investigações e tentam minar a ordem democrática. O deputado é acusado de encabeçar uma campanha para convencer os Estados Unidos a imporem sanções a ministros do STF. O objetivo dessa estratégia, conforme indicado na ação, é ferir a soberania nacional e influenciar processos judiciais em que seu pai, Jair Bolsonaro, está envolvido.

Eduardo Bolsonaro, afastado de seu cargo na Câmara dos Deputados e residindo nos Estados Unidos desde março, emitiu nota defendendo que suas atuações visam direcionar efetivamente as sanções, minimizando o impacto sobre a população e o setor produtivo brasileiro. Ele alegou que as tarifas têm um caráter político, com o intuito de punir aqueles que contribuíram para a degradação do Estado de Direito no país.

Adicionalmente, a ABJD argumenta que as sanções do “tarifaço” estão ligadas a uma tentativa de retaliar a regulação brasileira sobre as plataformas digitais. A entidade caracteriza as ações das big techs como uma tentativa de deslegitimar leis como a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) e normas que buscam regular a inteligência artificial e fortalecer a soberania digital brasileira.

Para a associação, os efeitos das sanções vão além do impacto econômico imediato, afetando setores estratégicos e colocando em risco milhares de empregos. A pressão das grandes corporações pode comprometer a proteção de dados e facilitar a desinformação, ameaçando as instituições democráticas. A ABJD se posiciona de forma firme, afirmando que não aceitará que o Brasil seja tratado como uma colônia digital e econômica, e clama pela reafirmação da soberania nacional diante das pressões externas. Tereza Mansi, integrante da executiva da ABJD, destacou essa necessidade em suas declarações, enfatizando a importância de proteger a Constituição e a vontade do povo brasileiro.

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