O juiz Thiago Portes, responsável pela condução do processo no I Tribunal do Júri, impôs penas severas: Pedro Emanuel foi sentenciado a 32 anos, 9 meses e 18 dias de prisão, enquanto Otto Samuel recebeu uma pena de 31 anos, 5 meses e 6 dias. Ambos cumprirão suas penas em regime inicialmente fechado, evidenciando a gravidade da ofensa cometida.
Fernando Iggnácio, casado com a filha de Castor de Andrade, foi alvo de uma emboscada cruel ao retornar de um passeio de helicóptero em Angra dos Reis, local onde passava os finais de semana em sua casa de praia. O assassinato aconteceu no estacionamento do heliponto Heli-Rio, onde os executores, armados com fuzis, dispararam contra a vítima, que foi atingida fatalmente na cabeça. Para piorar a cena, a esposa de Iggnácio estava próxima e presenciou o ataque, um fator que contribuiu para a severidade da condenação.
Na sentença, o magistrado sublinhou a “frieza e violência exagerada” da ação, apontando especialmente o fato de Pedro Emanuel, um policial militar à época, ter usado seu conhecimento e acesso à corporação para agir em nome da “máfia do jogo do bicho”. Essa traição à sua função pública intensificou a reprovação social e judicial em relação ao crime.
Os irmãos optaram por permanecer em silêncio durante os interrogatórios, atitude que chamou a atenção no tribunal. Após a leitura da sentença, a defesa dos condenados anunciou a intenção de recorrer da decisão em instância superior, apontando para uma continuidade do embate judicial.
Além deles, outro acusado, Rodrigo Silva das Neves, já havia sido condenado em abril deste ano a mais de 32 anos de reclusão. Outro elemento relevante no caso é Rogério de Andrade, primo da esposa de Iggnácio, considerado o mandante do crime, que se encontra em um presídio federal, aguardando julgamento em um processo separado. A complexidade e interligação das figuras envolvidas evidenciam o entrelaçamento do crime ao histórico da criminalidade organizada no Rio de Janeiro.
