Um estudo recente, que entrevistou mais de 2 mil pessoas em relação ao câncer colorretal, traz à tona preocupações alarmantes sobre a percepção e a resposta da população diante desses sintomas. Embora cerca de 80% dos participantes afirmem ter consciência da severidade desses sinais, apenas 67% concordam que eles podem realmente indicar a presença da doença. A contradição se torna evidente ao analisar que quase 50% dos entrevistados não procuram ajuda médica de forma imediata.
O levantamento revela que 9% dos participantes notaram sangue nas fezes. Desses, apenas 59% procuraram atendimento médico prontamente, enquanto 40% demonstraram uma resposta menos ágil. Entre eles, 19% não realizaram nenhuma ação e simplesmente esperaram que o sintoma desaparecesse; 10% postergaram a busca por ajuda médica por dias ou até semanas; 7% tentaram resolver o problema com remédios caseiros ou alterações na dieta; 3% recorreram a farmácias visando medicações próprias; e 1% se informou na internet antes de buscar orientação médica.
Ademais, a pesquisa revelou que 67% dos entrevistados desconhecem o exame denominado “Pesquisa de Sangue Oculto nas Fezes” (PSO), um dos principais métodos para detectar sinais da doença antes que sintomas mais evidentes apareçam. Apenas 11% já realizaram o exame, enquanto 21% conhecem o procedimento, mas nunca o submeteram. O desconhecimento é ainda mais marcante entre jovens de 16 a 24 anos e em grupos com menor renda e escolaridade.
A questão do diagnóstico precoce é crucial, já que o câncer colorretal está se tornando cada vez mais comum no Brasil. Especialistas destacam a importância de estar atento a sintomas como sangramento, dor abdominal persistente e perda de peso inexplicável. Recomendam também a realização de exames preventivos a partir dos 45 anos ou antes, conforme histórico médico e familiar, uma vez que a detecção precoce está diretamente relacionada a maiores taxas de sobrevivência.
De acordo com dados do Instituto Nacional de Câncer, esperam-se cerca de 53.810 novos casos de câncer colorretal a cada ano no Brasil, tornando-o o segundo tipo de câncer mais frequente entre a população. Esse tema ganhou ainda mais destaque após o falecimento de figuras públicas devido à doença, ressaltando a urgência de conscientização e prevenção.
